EDP diz que parceria com Start Campus pode viabilizar novos projetos renováveis

A energética procura implementar-se no âmbito das infraestruturas digitais, de forma a "criar valor adicional dos nossos ativos e operações existentes"
Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP e EDPR, apresenta o FlexnConfu, no Ribatejo
Miguel Stilwell d'Andrade, CEO da EDP e EDPR, apresenta o FlexnConfu, no Ribatejo
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A EDP considera que a parceria estratégica assinada com a Start Campus pode viabilizar novos projetos de energia renovável, ao permitir maior visibilidade sobre volumes futuros de procura de eletricidade, disse esta quinta-feira, 26, o presidente executivo.

Na conferência telefónica com analistas, no âmbito da apresentação dos resultados de 2025, Miguel Stilwell d’Andrade afirmou que se trata de “um passo interessante” no desenvolvimento da estratégia da empresa no segmento das infraestruturas digitais.

“Na essência, o memorando de entendimento é apenas uma manifestação de interesse de ambas as partes para explorar sinergias entre as suas atividades. Nós somos especialistas no lado da energia e eles no lado da infraestrutura”, referiu.

O gestor explicou que o acordo assenta em três vertentes principais: a EDP poder ser considerada parceira estratégica de energia do projeto, quer através do fornecimento de energia, quer através da eventual adicionalidade de projetos renováveis, a exploração de sinergias com infraestruturas energéticas já operadas pelo grupo e, por fim, uma potencial colaboração em futuros desenvolvimentos de centros de dados em Portugal.

“Acima de tudo, isto abre a possibilidade de criar valor adicional dos nossos ativos e operações existentes, ao mesmo tempo que nos dá maior visibilidade sobre volumes futuros de procura, que poderiam apoiar o desenvolvimento de um projeto de energia renovável”, afirmou.

O gestor sublinhou ainda que a parceria poderá permitir explorar colaborações em futuros projetos de centros de dados que a Start Campus venha a desenvolver em Portugal, aproveitando ativos e capacidades de geração do grupo.

“Acho que é apenas um passo, um dos muitos, que nós esperamos tomar nesta área”, concluiu.

A Start Campus está a desenvolver o SINES Data Campus, em Sines, um projeto com capacidade prevista de 1,2 gigawatts, alimentado exclusivamente por energia renovável, e com investimento estimado em 8,5 mil milhões de euros, num contexto de crescimento da procura elétrica associada a centros de dados na Europa.

A EDP fechou 2025 com um resultado líquido de 1.150 milhões de euros, um aumento de 44% face aos cerca de 800 milhões de euros do ano anterior.

Os resultados refletem o “forte contributo da EDP Renováveis, parcialmente mitigado pela redução dos preços de venda de eletricidade em Portugal e Espanha, e a desvalorização cambial no Brasil”, justificou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A EDP Renováveis obteve lucros de 216 milhões de euros no ano passado, um aumento de 772 milhões de euros face ao resultado de 2024, em que foram registadas "perdas extraordinárias significativas”, sobretudo devido à saída da Colômbia.

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