

As exportações de componentes automóveis caíram 6,9%, para 3.033 milhões de euros, no primeiro trimestre face ao mesmo período de 2025, penalizadas pelo “contexto internacional exigente”, informou a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
Apesar desta quebra, e “mesmo no contexto atual”, a associação destaca que “os fornecedores da indústria automóvel mantêm uma relevância estratégica para a economia nacional, representando 15,4% das exportações portuguesas de bens transacionáveis”.
Considerando apenas o mês de março, as exportações de componentes automóveis situaram-se nos 1.056 milhões de euros, registando uma quebra homóloga de 3,2%.
Estes valores comparam com uma subida de 10,6% das exportações nacionais de bens no mesmo mês, o que, salienta a AFIA, evidencia que “a cadeia de fornecimento automóvel continua pressionada pela evolução da procura nos principais mercados europeus”.
No acumulado até março, a Europa continuou a concentrar “a larga maioria” das vendas externas do setor, representando 88,8% das exportações portuguesas de componentes automóveis, embora as vendas para esta região tenham diminuído 6,5% face ao mesmo período do ano anterior.
Em sentido inverso, as exportações para África e o Médio Oriente aumentaram 13,6%, ainda que representem apenas uma quota de 5,2%.
Por países, Espanha manteve-se como o principal destino dos componentes fabricados em Portugal, com uma quota de 28,1%, seguida da Alemanha, com 22,5%, e de França, com 9,5%.
As vendas para Espanha diminuíram 9,9%, para a Alemanha 2,7%, para o Reino Unido 10,4% e para os Estados Unidos 35,4%. Em sentido contrário, as exportações aumentaram para França (3,8%), Marrocos (5,8%), Itália (12,4%) e Polónia (19,3%).
Citado no comunicado, o presidente da AFIA considera que os dados do primeiro trimestre “confirmam a importância estratégica dos fornecedores da indústria automóvel para a economia portuguesa, mas também mostram que o setor continua a operar num contexto internacional exigente”.
“A forte exposição aos mercados europeus torna essencial reforçar as condições de competitividade da indústria em Portugal, desde a energia e financiamento ao investimento produtivo, inovação, qualificação e estabilidade regulatória”, salienta José Couto.
Para a AFIA, a evolução das exportações “deve ser lida num contexto de transformação profunda da indústria automóvel europeia, marcada pela transição tecnológica, pela pressão sobre custos, pela reconfiguração das cadeias de valor e pela concorrência internacional”.
Neste sentido, considera “urgente rever as condições de enquadramento que permitam às empresas continuar a investir, inovar e responder às exigências dos construtores e dos mercados globais”.
Os cálculos da AFIA têm como base as “Estatísticas do Comércio Internacional de Bens” divulgadas no dia 08 de maio pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A indústria de componentes para automóveis em Portugal agrega cerca de 360 empresas e emprega diretamente 61.700 pessoas, tendo registado um volume de negócios de 14.100 milhões de euros em 2025, com uma quota de exportação direta na ordem dos 85%.
De acordo com a associação, o setor representa 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB), 8,8% do emprego da indústria transformadora, 12,1% do valor acrescentado bruto da indústria transformadora, 14,8% do investimento total da indústria transformadora e 14,9% das exportações nacionais de bens transacionáveis.