

A fintech portuguesa Ifthenpay viu o volume de negócios crescer 16% em 2025, até aos 8,13 milhões de euros. Para tal, beneficiou do aumento do número de clientes e, sobretudo, dos pagamentos presenciais. Para 2026, estima processar pagamentos num valor total superior a dois mil milhões de euros.
A empresa está ligada ao processamento de pagamentos, nos formatos físico e digital. Oferece uma solução "sem custos de entrada", desde os grandes comerciantes aos mais pequenos. "O pequeno empresário consegue ter, de um dia para o outro, numa loja online, o mesmo serviço que um grande comerciante", garantem aos jornalistas os cofundadores da empresa, Filipe Moura e Nuno Breda.
A Ifthenpay procura empresas que queiram vender qualquer tipo de produtos ou serviços, desde que dentro da lei e que um quadro ético (rejeitam jogos de azar). Não obstante sublinhar um "crescimento sólido" em 2025, não alcançou a meta de 9 milhões de euros em volume de negócios que havia definido.
Em causa estiveram os desafios associados à incerteza económica, impulsionada por vários fatores externos. Também no ano passado, o lucro após impostos avançou para "perto" de 2,2 milhões de euros, de acordo com as contas dos responsáveis pela empresa. Este valor carece ainda de ser auditado.
De acordo com a informação que divulgou nesta terça-feira, o volume de pagamentos atingiu 1,8 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, o EBITDA cresceu 21% e atingiu 2,8 milhões de euros.
Para tal, beneficiou de vários fatores de crescimento. Desde logo, o número de entidades aderentes aos serviços (os clientes da Ifthenpay) aumentou 10%, para um total de 33 mil. Em simultâneo, o volume de pagamentos presenciais cresceu 34%, em virtude do lançamento dos terminais de pagamento (TPAs) lançados pela companhia no início do ano transato.
Num olhar para 2026, a Ifthenpay quer "continuar a crescer a dois dígitos", em termos homólogos. Algo que, de acordo com os responsáveis, é repetido pela empresa desde que esta surgiu, em 1998.
Em simultâneo, promete alcançar um par números redondos no âmbito dos pagamentos processados. Por um lado, estima chegar a dois mil milhões de euros até final do ano. Por outro lado, está na calha a meta dos 10 mil milhões de euros em volume acumulado de pagamentos, desde a fundação da empresa, em 1998, até ao presente.
Dos investimentos em Portugal à ambição europeia
Em 2023, a Ifthenpay foi adquirida pela polaca Payten, que atua igualmente no setor dos pagamentos e está integrada no grupo Asseco. Está, por isso, mais preparada para se expandir para outros mercados europeus, em particular o caso espanhol.
Nos planos para o ano em curso, está o lançamento dos TPAs da Ifthenpay em países estrangeiros. Para tal, beneficia da rede detida pelo grupo ao qual agora pertence. De acordo com os responsáveis, há também intenção do próprio grupo de investir mais em solo português.
"Eles têm mostrado interesse em investir em Portugal. Têm-no feito e vão continuar a fazer", diz Filipe Moura. Em causa está a futura compra de empresas do setor financeiro português. "Este ano, vão haver novidades, em termos de aquisições". Sem revelar nomes concretos, o próprio aponta segmentos como softwares de faturação e "tudo o que esteja ligado a pagamentos" como alvos de potenciais investimentos do grupo.
Bancos: concorrentes ou parceiros?
A Ifthenpay concorre de forma direta, desde logo, com outras fintechs. É o caso da Lusopay, Eupago e Easypay, que sediadas em Portugal. Somam-se empresas estrangeiras que também estão presentes no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, concorre com os bancos, que oferecem soluções ligadas a processamento de pagamentos, entre outras. Têm "meios de pagamento em bruto", ao passo que a Ifthenpay tem "soluções muito mais especializadas e com muito mais integrações tecnológicas", desde software a plataformas online, explicam.