Fundador da chinesa Shein defende modelo de negócio em rara aparição pública

Xu Yangtian destacou que a empresa tem mantido um crescimento sustentado e que, em 2025, o valor das exportações geridas através da sua plataforma ultrapassou os 11,7 mil milhões de euros.
A Shein é uma das maiores plataformas de comércio online em todo o mundo
A Shein é uma das maiores plataformas de comércio online em todo o mundoDado Ruvic/Reuters/Arquivo
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O fundador e presidente da plataforma chinesa de moda rápida Shein, Xu Yangtian, fez esta quarta-feira, 25, uma rara aparição pública para defender o modelo de negócio da empresa, que enfrenta crescente pressão regulatória no estrangeiro.

Xu interveio na Conferência de Desenvolvimento de Alta Qualidade da província de Guangdong, no sudeste da China, na qualidade de representante empresarial, informou o jornal chinês Yicai.

No discurso, Xu destacou que a Shein, cuja base de produção se concentra em Guangdong, tem mantido um crescimento sustentado e que, em 2025, o valor das exportações geridas através da sua plataforma ultrapassou os 100 mil milhões de yuan (cerca de 11,7 mil milhões de euros).

Segundo o empresário, a empresa opera em mais de 160 países e regiões e tornou-se “um dos três maiores retalhistas de moda” do mundo.

Xu recordou ainda que o Instituto Hurun colocou a Shein na nona posição mundial entre as empresas emergentes mais valiosas na classificação de 2025, com uma avaliação estimada em 365 mil milhões de yuan (45 mil milhões de euros).

O responsável atribuiu o rápido crescimento internacional ao modelo de cadeia de abastecimento “digital e flexível”, conhecido como “pequenos lotes e rápida reposição”, que permite ajustar a produção à procura em ciclos de duas a três semanas.

Na sua perspetiva, a “integração entre indústria e serviços”, aliada ao uso de dados para transformar procura fragmentada em ordens de produção, constitui a “chave da competitividade” da Shein.

A intervenção surge num momento em que a empresa enfrenta investigações em vários países europeus, como França, onde as autoridades abriram recentemente um processo após terem detetado na plataforma a venda de bonecas sexuais com aparência infantil.

Este mês, a Comissão Europeia iniciou também um procedimento formal ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais, por alegado “design viciante” da plataforma, falta de transparência nos sistemas de recomendação e venda de artigos ilegais.

A Shein assegurou que coopera “plenamente” com a Comissão Europeia, que reforçou a proteção dos utilizadores mais jovens e que está a implementar mecanismos de verificação de idade.

A empresa mantém em aberto planos de entrada em bolsa, ponderando uma eventual cotação em Londres ou em Hong Kong.

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