Glovo defende legalidade de pagamentos após acusação de exploração em Itália

Plataforma diz que apresentará dados e factos “relevantes para a investigação em curso” a fim de provar que cumpre “todos os requisitos legais” e que o sistema de remuneração é adequado.
Glovo defende legalidade de pagamentos após acusação de exploração em Itália
GABRIEL BOUYS / AFP
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A empresa espanhola Glovo mostrou-se esta sexta-feira, 20, disponível para demonstrar às autoridades italianas que os seus estafetas recebem uma “remuneração justa”, após o Ministério Público italiano investigar a Foodinho, subsidiária da Glovo no país, por alegada exploração laboral.

Um porta-voz da Glovo explicou à agência de notícias EFE que a plataforma está disposta a “cooperar construtivamente” com a justiça italiana e esclareceu que nem o tribunal, nem o Ministério Público ordenaram a contratação direta dos 40.000 estafetas que operam no país.

Nesse sentido, a Glovo apresentará dados e factos “relevantes para a investigação em curso” a fim de provar que cumpre “todos os requisitos legais” e que o sistema de remuneração é adequado.

A reação da empresa ocorre após o Tribunal de Milão ter validado na quinta-feira a medida de controlo judicial solicitada pelo procurador contra a Foodinho e contra o seu administrador único.

As autoridades italianas nomearam um administrador judicial que deverá acompanhar a gestão da empresa investigada e informar o juiz sobre a sua situação.

A acusação sustenta que a empresa operava sob um sistema de contratação “em condições de exploração”, aproveitando-se da situação de necessidade dos funcionários, na sua maioria estrangeiros.

Segundo o procurador, a empresa pagava remunerações que, em certos casos, eram 81,62% inferiores às estabelecidas pelo acordo italiano.

A investigação, com mais de 50 páginas, recolhe declarações de alguns trabalhadores que trabalham para a Foodinho, todos estrangeiros, que relatam trabalhar até 12 horas por dia, recebendo 2,50 euros por cada entrega ao domicílio.

Em agosto do ano passado, um tribunal do trabalho de Milão já tinha obrigado a empresa Glovo a pagar mais aos seus funcionários em Itália devido ao calor extremo, bem como a fornecer-lhes equipamentos de proteção, considerando inadequadas as medidas adotadas pela empresa.

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