O ministro da Economia e da Coesão Social, Manuel Castro Almeida, disse esta quarta-feira, 14, que o Governo deve ter uma atuação cautelosa sobre as negociações entre a Galp e a Moeve, garantindo estar atento “aos interesses estratégicos do Estado”.“Aquilo que o Governo queria dizer sobre o assunto disse no comunicado que hoje saiu. É um comunicado cauteloso, como cautelosa tem que ser a atuação do Governo”, afirmou.Manuel Castro Almeida respondia a questões dos jornalistas, em Sines, no distrito de Setúbal, à margem de um encontro promovido pela Fundação Repsol para debater a importância deste território na descarbonização da indústria.Questionado sobre as negociações entre a Galp e a Moeve para a fusão dos negócios de refinação e combustíveis na Península Ibérica, o governante garantiu que o Estado mantém-se atento por estarem em causa ativos estratégicos.“Atentos, sabendo que o essencial da negociação pertence às empresas, estamos a falar de um negócio entre empresas que são privadas. Agora há uma relação com interesses estratégicos do Estado em que o Estado tem de estar atento e estará”, reforçou o governante remetendo para o comunicado hoje divulgado sobre esta matéria.Na nota, o Ministério da Economia e da Coesão Social diz que “foi informado sobre o início das negociações entre a Galp e a Moeve, para a junção de parte dos ativos e da intenção de criar duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade, e outra dedicada à indústria petroquímica e de refinação”.E acrescentou que “estando em causa ativos estratégicos para a soberania energética nacional, sustentabilidade ambiental, concorrência e defesa dos consumidores, e sem prejuízo de se tratar de um potencial negócio entre empresas privadas, o Governo permanece atento ao desenrolar das negociações”.Questionado pela agência Lusa se a refinaria de Sines da Galp é uma das áreas às quais o Governo vai estar atento, Manuel Castro Almeida anuiu, referindo ser “essa a questão principal”.No comunicado, o ministério da Economia e da Coesão Territorial lembrou que Estado "detém uma participação qualificada de 8,24% na estrutura acionista da Galp, detida através da Parpública - Participações Públicas".Em causa está o acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) - a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group - para avançar com discussões sobre a junção dos respetivos portefólios de ‘downstream’ (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica.O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será co-controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, ‘trading’ e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio).Nesta plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional..Galp e Moeve aliam-se para criar duas plataformas energéticas na Península Ibérica