

A venda do Novo Banco ao grupo francês Banque Populaire et Caisse d'Epargne (BPCE) será concluída na próxima semana, confirmou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
“Na próxima semana será concluída a compra do Novo Banco pelo BPCE”, disse, no final da reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 23.
Miranda Sarmento falava do processo de venda da TAP, que entra agora numa nova fase com o convite à Air France-KLM e à Lufthansa para apresentarem propostas vinculativas, e referiu-se quer à alienação de parte do capital da TAP quer à venda do Novo Banco como duas grandes operações, confirmando que no caso da instituição financeira o processo estará terminado dentro de dias.
A venda do banco que resultou da resolução do BES em 2014 ao grupo francês BPCE foi acordada em 2025.
Neste momento, o banco é detido em 75% pelo grupo norte-americano Lone Star e em 25% pelo Estado português.
Para dia 29 de abril está marcada uma assembeia-geral, em que um dos pontos é a nomeação de três novos membros para o Conselho Geral e de Supervisão.
O Público noticiou que de saída estão Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker e Evgeniy Kazarez. Os novos nomes não são conhecidos para já.
O presidente executivo do Novo Banco, o irlandês Mark Bourke, continuará no cargo mas o grupo francês trará novos nomes para cargos de chefia.
Quando se soube do acordo de compra, o presidente do BPCE, Nicolas Nimas, teve um encontro com os trabalhadores do banco em que disse que o investimento do grupo em Portugal é de longo prazo (ao contrário do investimento da Lone Star).
O Novo Banco foi criado em 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES) quando, em agosto desse ano, o banco foi alvo de uma medida de resolução face à grave crise em que estava imerso.
Em 2017, a maioria do Novo Banco (75%) foi vendida o Lone Star, mantendo o Estado português o restante (25%).
Nessa venda, foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução bancário compensaria os Novo Banco por ativos 'tóxicos' herdados do BES. Nos anos seguintes, o Fundo de Resolução injetou 3.405 milhões de euros no banco, provocando várias polémicas políticas e mediáticas pelo uso de dinheiro público.
Com o fim antecipado deste mecanismo, em final de 2024, passou a ser possível a venda do banco e o pagamento de dividendos.
Em junho, os acionistas do Novo Banco concordaram a sua venda ao BPCE por 6.400 milhões de euros, tendo os acordos sido assinados em outubro.
Com a alienação, o Lone Star encaixa 4.800 milhões de euros e o Estado português 1.600 milhões de euros.