

O turismo destacou‑se em 2025 como motor central do mercado imobiliário português, impulsionando investimento e dinamizando também os sectores residencial e do retalho, conclui o relatório “Savills Residential Outlook 2025 | Trends 2026”, divulgado esta sexta-feira, 27 de março, pela consultora Savills.
Segundo a análise, a hotelaria concentrou grande parte do interesse dos investidores, já que em 2025, o setor absorveu 494 milhões de euros em 11 transações, valor ligeiramente superior ao de 2024, com 90% do capital proveniente do estrangeiro.
A Savills vê no turismo um fator decisivo para manter Portugal no radar dos investidores e antecipa que, em 2026, continuará a haver procura, sobretudo orientada para a requalificação de hotéis bem localizados.
A força do turismo reforçou a procura por alojamento e serviços complementares, contribuindo para o “forte dinamismo” observado também no residencial e no retalho.
No segmento residencial, foram transacionadas cerca de 163 mil habitações em 2025 — mais 9% que em 2024 — com um aumento do crédito à habitação e maior participação de compradores mais jovens.
A nova construção continua, porém, insuficiente nas principais áreas urbanas, alimentando a escassez de produto de qualidade.
Em Lisboa, venderam‑se 9.613 fogos (mais 11% face a 2024), com a oferta total em 22.435 unidades — ainda abaixo da procura — e preços médios pedidos na nova construção de 8.191 euros/m2 (cerca de 9.200 euros/m2 no ‘high‑end’ e 13.312 euros/m2 no topo).
No Porto, registaram‑se 6.387 vendas (mais 7%) e a oferta de casas novas subiu 32% para 16.834 unidades; o preço médio pedido na nova construção situou‑se em 5.205 euros/m2.
No retalho, a procura por espaços em centros comerciais manteve‑se robusta perante oferta limitada, com a moda a liderar a ocupação e restauração, lazer e serviços a aumentar afluência. Nas principais artérias de comércio de rua, a escassez de lojas bem localizadas continua a pressionar rendas.
Para 2026, a Savills antevê um cenário de crescimento económico moderado aliado a uma procura ainda sólida — elementos que, com o turismo em destaque, deverão acentuar a escassez de produto de qualidade e manter a pressão sobre preços e rendas.
A consultora prevê também maior foco em requalificação hoteleira e em conceitos de retalho centrados na experiência do cliente.