Infraestuturas de Portugal diz que obra no antigo IC3 só avança em junho
O presidente da Câmara Municipal de Penela, Eduardo Nogueira dos Santos, chamou, primeiro a comunicação social e, posteriormente, todos os grupos parlamentares da Assembleia da República a visitar o concelho de Penela, com o objetivo de verem os impactos provocados pela interdição do antigo IC3. Desde o ‘comboio de tempestades’, findo a 10 de fevereiro, que cerca de 100 quilómetros do antigo IC3 estão interditados devido a estragos no pavimento, o que está a provocar “fortes constrangimentos” à população, garante o autarca. Habitantes e comerciantes da região queixaram-se, em reportagem transmitida pela TVI, de alternativas que implicam muito mais tempo e quilómetros, e do impacto económico que esta interdição está a ter. A estrada é da responsabilidade das Infraestruturas de Portugal (IP).
Questionada pelo DN sobre a razão deste atraso na reconstrução da via, a IP garante que “mantém, desde o primeiro momento, um contacto permanente com as entidades locais, nomeadamente com o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penela, que se encontra devidamente informado sobre a complexidade da intervenção necessária e sobre a evolução das diligências em curso para a sua resolução”. No mesmo sentido, a IP esclarece que “no que respeita ao troço do antigo IC3, entre os quilómetros 13+500 e 14+300, na sequência dos estudos e sondagens iniciais está em fase final de contratação a elaboração do projeto de execução prevendo-se a sua entrega para o mês de junho após o que a IP lançará a obra”, diz fonte oficial.
Ou seja, antes do verão, não haverá garantidamente troço a funcionar. E isto se tudo acontecer nos prazos previstos.
Um empreendimento que deverá ter um custo estimado – ao dia de hoje – de, pelo menos, 1,5 milhões de euros, segundo algumas fontes do setor da construção ouvidas pelo DN. Isto porque “de forma preliminar, admite-se que a intervenção possa envolver trabalhos de terraplenagem, drenagem e execução de estruturas de contenção, podendo incluir o recurso a fundações indiretas, caso tal se revele necessário”, avança ainda a IP ao DN.
“Nesta fase, não é ainda possível indicar uma data concreta para a reabertura deste troço, o que só será possível após a conclusão das obras de estabilização do talude e de reconstrução da plataforma rodoviária. Até à reposição das condições de circulação, mantêm-se como alternativas os itinerários pela A13-1, A13, EN342 e EN110”, continua ainda a IP.
O que também é facto é que há uma falta significativa de empreiteiros com mão de obra disponível para fazer esta obra, o que tem causado não apenas atrasos na entrega de alguns empreendimentos, mas também não tem ajudado ao cenário de alta de preços que já se vivia após a tempestade Kristin – que provocou um aumento exponencial de necessidade de empresas de construção – e que foi agravada pelo escalar do conflito no Irão.
Por seu lado, o autarca de Penela reconhece o compromisso da IP em encontrar uma solução, mas continua a deixar avisos públicos sobre, também, como esta situação está a afetar a capacidade de resposta dos meios de socorro.
Segundo o Diário das Beiras, a autarquia avançou com a requalificação de vias municipais alternativas, assumindo um investimento superior a meio milhão de euros, sem qualquer garantia de reembolso.

