

Portugal registou 1.134 processos de insolvência nos primeiros seis meses de 2026, mais 52 do que no período homólogo de 2025 — um acréscimo de 4,8% —, de acordo com dados compilados pela Allianz Trade.
Apesar do aumento agregado, a consultora diz que os números revelam uma deterioração moderada e sem, por enquanto, sinais de uma degradação transversal do tecido empresarial.
A evolução ao longo do semestre foi desigual. Depois de um início de ano relativamente estável, fevereiro teve uma queda homóloga de 16,3%, seguida por subidas acentuadas em março (+22,2%) e abril (+21,0%). Maio voltou a melhorar (-9,5%), ao passo que junho voltou a subir (+17,8%).
A alternância mensal evidencia impactos diferenciados por sectores e empresas, sublinha a Allianz Trade.
As microempresas continuam a concentrar a maioria dos processos — 67,6% do total — e foram as mais afetadas, com um aumento homólogo de 9,9%. As pequenas empresas reduziram insolvências em 10,4%, enquanto as médias cresceram 12,5%, embora com expressão ainda limitada no conjunto nacional.
Quanto à antiguidade, cerca de metade das insolvências envolve empresas com mais de dez anos, cuja variação homóloga se manteve praticamente estável (+0,9%). As maiores subidas verificaram‑se entre empresas mais jovens: +21,5% para as com dois a cinco anos e +18,2% para as com até dois anos.
Setorialmente, os Serviços (+18,9%) e a Construção (+15,2%) puxaram o aumento do agregado. Por outro lado, Retalho (-14,0%), Têxteis (-7,0%), Agroalimentar (-1,2%), Transportes (-1,4%) e Metais (-21,4%) apresentaram evoluções mais favoráveis.
Territorialmente, Porto e Lisboa concentram cerca de 45% das insolvências nacionais. O Porto registou uma queda homóloga de 10,3%, enquanto Lisboa cresceu 10,8%. Outros aumentos destacaram‑se em Setúbal, Viseu, Leiria, Faro e Braga; descidas em Coimbra, Santarém, Castelo Branco e Viana do Castelo.
A leitura integrada dos dados, conclui a Allianz Trade, aponta para pressões concentradas nas microempresas, nas mais jovens e em sectores específicos, não permitindo afirmar uma degradação uniforme do tecido empresarial português.