

O mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal registou 1,4 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento de 11% face ao período homólogo, segundo o relatório "Market Dynamics" da JLL, divulgado esta quinta-feira.
Este crescimento revela-se concentrado em poucos sectores, sendo que a hotelaria e retalho absorveram cerca de dois terços do capital investido, evidenciando uma procura seletiva por ativos com desempenho operacional estável.
A presença internacional continua dominante, uma vez que 65% do capital transacionado teve origem estrangeira, contra 35% de investimento nacional. Apesar disso, a consultora nota uma maior participação de investidores portugueses, sinal de diversificação da base de compradores num mercado tradicionalmente muito procurado por capital externo.
No detalhe por sectores, a hotelaria destacou‑se com 34% do total, impulsionada por operações de grande visibilidade, enquanto o retalho representou 32%, suportado por vendas de centros comerciais e retail parks. O segmento industrial e logístico captou 13% do investimento e escritórios 6%, refletindo uma procura mais tímida por espaços de escritórios face ao dinamismo dos sectores turísticos e de consumo.
Os indicadores operacionais reforçam o apetites dos investidores: até maio, as vendas no retalho cresceram 5% homólogo; a hotelaria aumentou receitas em 5,7% e contabilizou mais 2,4% de hóspedes.
Contudo, a JLL sublinha que a atividade ocupacional se manteve moderada em vários mercados, situação que deverá melhorar gradualmente no segundo semestre devido a uma oferta limitada e à manutenção de rendas em patamares elevados.
No mercado residencial, a dinâmica foi marcada por pressão na oferta, já que os preços subiram 14% em termos homólogos enquanto as transações caíram 7%. A consultora associa esta evolução ao défice estrutural de oferta, ao aumento dos custos de construção e à valorização dos terrenos.
Sobre a leitura estratégica, Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal, interpretou os resultados como um sinal de resiliência, ao afirmar que "os resultados do primeiro semestre demonstram a capacidade do mercado imobiliário português para continuar a atrair capital, apesar da incerteza internacional".
A JLL mantém uma visão positiva para a segunda metade do ano, esperando maior interesse por ativos de qualidade e por novos segmentos, como centros de dados.