

A Península Ibérica consolidou‑se como um dos destinos mais apetecíveis para investimento em retalho na Europa, segundo dados da consultora imobiliária JLL, divulgados esta segunda-feira, 18 de maio.
Portugal e Espanha somaram 1.384 milhões de euros em transações nos primeiros três meses de 2026, ultrapassando mercados como o Reino Unido e a Alemanha e posicionando a região no topo da atração de capital para o setor.
Portugal respondeu por 340 milhões de euros desse total no primeiro trimestre, evidenciando a resiliência e estabilidade do mercado nacional, sublinha a consultora.
O interesse estrangeiro é explicado por fatores como um crescimento económico acima da média europeia, uma dinâmica turística robusta e relativa estabilidade geopolítica, que atraem capital institucional, gestores de ativos e investidores privados.
Para Augusto Arrochella Lobo, Head of Commercial Capital Markets da JLL Portugal, a Península Ibérica reúne a massa crítica e os fundamentos necessários para liderar a captação de capital. Acrescenta o responsável que “o mercado português caminha, além disso, para uma maior integração e cada vez mais investidores e gestores estão a criar plataformas de ativos”.
Em Portugal, o impulso do investimento tem sido particularmente visível nos ativos prime e no segmento alimentar, com operações relevantes em centros comerciais e retail parks — entre eles GaiaShopping, ArrábidaShopping e Matosinhos Retail Park — reforçando o dinamismo do setor. Os sólidos fundamentos macroeconómicos e os elevados níveis de ocupação sustentam esta tendência, realça o documento.
O consumo privado tem sido um motor importante, uma vez que segundo o INE, as vendas no retalho (excluindo combustíveis) cresceram 4,4% em termos homólogos até março de 2026, com os bens não alimentares a avançarem 5,1% e os alimentares 3,6%, reforça a JLL.
A boa performance do final de 2025 prolongou‑se para 2026, com forte procura nos eixos de comércio de rua de Lisboa e Porto. Em Lisboa, o turismo e a restauração mantêm o setor ativo, enquanto que no Porto, a presença crescente de marcas internacionais reforça a atratividade, diz a consultora.
O aquecimento da procura pressiona as rendas prime para máximos históricos, destaca ainda a JLL, já que no 1.º trimestre de 2026, registaram‑se rendas de 155 euros por metro quadrado no Chiado e 90 euros/m² na Rua de Santa Catarina, no Porto.
Também os supermercados viram rendas em subida, atingindo cerca de 16 euros/m² para unidades standalone, espelhando o apetite dos investidores por formatos de proximidade e conveniência, sublinha a consultora.
As perspetivas para 2026 mantêm‑se positivas, de acordo com a JLL. Espera‑se contínua procura por ativos de qualidade, crescimento do retalho experiencial e maior convergência entre canais físicos e digitais.
De acordo com a consultora, centros e parques comerciais deverão continuar a captar a maior fatia do investimento, com o segmento alimentar a ganhar peso entre investidores e operadores.
A atividade de investimento deverá continuar a ser dominada por gestores de fundos e investidores privados, defende a JLL, embora se note um aumento gradual do interesse institucional, o que poderá reforçar ainda mais o dinamismo do mercado português de retalho nos próximos meses.