Investimento no retalho atinge 840 milhões em 2025, o segundo melhor ano pós‑pandemia

De acordo com um estudo da consultora JLL, os centros comerciais concentraram a maior fatia do capital, representando 81% do montante investido (567 milhões de euros).
Investimento no retalho atinge 840 milhões em 2025, o segundo melhor ano pós‑pandemia
Natacha Cardoso/Global Imagens
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O investimento no setor do retalho em Portugal totalizou 840 milhões em 2025, o segundo melhor ano desde a pandemia e equivalente a 30% do volume imobiliário transacionado no país, segundo a consultora JLL.

Em número de operações, 2025 foi o mais ativo da série histórica, com 38 transações concluídas.

Os centros comerciais concentraram a maior fatia do capital, representando 81% do montante investido (567 milhões). Já as lojas de rua transacionaram 123 milhões, um aumento de 21% face a 2024, enquanto os parques comerciais registaram apenas 11 milhões — uma queda de 92% em termos homólogos, depois de um ano recorde em 2024.

Quanto à origem do capital, 70% do investimento foi internacional e 30% protagonizado por compradores portugueses. Por perfil de risco, investidores Core e Core+ representaram 64% das operações, o capital de valorização somou 18% e o capital oportunista ficou em 3%.

Augusto Lobo, Head of Capital Markets da JLL Portugal, diz, citado no estudo, que “Portugal reforça a sua posição como um mercado maduro e atraente para o investimento no retalho", cujo valor gerado vem apenas demonstrar a sua "estabilidade, resiliência", bem como a "grande confiança dos investidores nacionais e internacionais".

Em Lisboa, a disponibilidade de lojas em artérias prime mantém‑se reduzida. Por exemplo, a Rua Augusta apresenta 6,5% de disponibilidade e a Rua Garrett regista ocupação total.

Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL Portugal, alerta que “Lisboa consolida‑se como um dos mercados High Street mais dinâmicos e competitivos do sul da Europa", salientando igualmente que "esta escassez de oferta nas principais zonas está a pressionar os valores das rendas e a criar um cenário de grande concorrência pelos poucos espaços que chegam ao mercado".

As rendibilidades prime em lojas de rua comprimiram 50 pontos base para 4,25% em 2025, refletindo o renovado apetite dos investidores. Nos centros comerciais a rentabilidade prime manteve‑se em 6,15%, enquanto os parques comerciais recuaram 25 pontos base para 6,50%.

O stock de equipamentos comerciais em Portugal deverá crescer 72.750 m² em 2026 — 60 mil m² de novos empreendimentos e 12.750 m² de ampliações. Os parques comerciais lideram o adicional de oferta, representando 70% das novas aberturas, e está prevista a inauguração de um novo centro comercial na região centro com cerca de 18 mil m².

Atualmente, o mercado nacional soma 3,95 milhões de m² distribuídos por 172 ativos (369 m² por mil habitantes). Os centros comerciais constituem 120 ativos e 84% do stock, com 310 m² por mil habitantes, enquanto os parques comerciais totalizam 52 ativos (16% do stock) e 61 m² por mil habitantes.

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