Lipor com resultado positivo de 8,5 milhões de euros após dois anos de prejuízo

Trata-se de “um regresso à normalidade da situação económico-financeira”, depois de resultados negativos de 2,9 milhões de euros em 2023 e 4,7 milhões em 2024, diz a associação intermunicipal.
Lipor com resultado positivo de 8,5 milhões de euros após dois anos de prejuízo
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A Lipor, associação intermunicipal que gere os resíduos de oito municípios do Grande Porto, apresentou em 2025 resultado líquido positivo de 8,5 milhões de euros, após dois anos no negativo, segundo o relatório integrado consultado pela Lusa.

De acordo com o documento relativo a 2025, divulgado na terça-feira, a Lipor encerrou 2025 com “um regresso à normalidade da situação económico-financeira” da associação intermunicipal, depois de resultados negativos em dois anos sucessivos, de 2,9 milhões de euros em 2023 e 4,7 milhões em 2024.

Estes prejuízos são cobertos pelos municípios que integram a associação, pelo que este ano o desempenho próprio permitiu alcançar “uma capacidade consistente de geração de valor e financiamento do seu crescimento”.

A alavancar estes resultados está um volume de negócios que, no ano passado, ascendeu a 58,4 milhões de euros, contra 48,2 milhões em 2024, o maior valor em anos, num crescimento de 21,2% face ao período homólogo.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) também evoluiu, de 12,6 milhões em 2024 para 14,8 milhões em 2025, ainda que siga aquém dos 16,2 milhões de 2023 e dos 21 milhões de 2022.

A evolução no volume de negócios, pode ler-se no documento, foi sustentada parcialmente pela “atualização em alta dos valores de contrapartida de retoma dos materiais de embalagem”, mas também pelo aumento de 1,3%, face a 2024, “dos quantitativos expedidos para a indústria recicladora”

De resto, a Lipor apresenta um património líquido de 101,2 milhões de euros e, no relatório, a associação destaca o financiamento externo que foi recebendo, com um investimento total no período compreendido entre 2017 e 2025 que ascende a 37,2 milhões de euros, dos quais cerca de 80% provêm de fundos nacionais e europeus, contra 20% de fundos próprios.

Olhando para a atividade, a Lipor atingiu os 36% de resíduos preparados para reutilização e reciclagem, subindo 5% face a 2024, a caminho da meta definida no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos 2030, que é de 61% no final da década.

Os resíduos encaminhados para confinamento técnico baixaram 0,9% em 2025 em relação ao período homólogo anterior, subindo ligeiramente as valorizações orgânicas e multimateriais, enquanto a energética baixou 0,8%.

Ao todo, em 2025, foram produzidas cerca de 11.350 toneladas do produto orgânico Nutrimais, mais de 17 milhões de litros de substratos Nutrimais, 92.405 toneladas de resíduos recicláveis e 191.521,99 Mwh (megawatt-hora) de energia produzida.

Fora do tratamento de resíduos, há 296 hectares em processo de renaturalização e o envolvimento estimado de perto de 89 mil cidadãos dos municípios, nas várias atividades que levam a cabo para lá da gestão de resíduos.

Atualmente, são 250 os trabalhadores da associação, destacando-se a percentagem de 48% de mulheres em cargos de gestão e uma taxa de retenção acima de 97%.

Em 2025, nota ainda para a inauguração da Unidade Piloto de Triagem de Têxteis, a primeira do género em Portugal, e a criaçãoi da ENNO-Energias do Norte, uma comunidade energética.

A Lipor, criada em 1982, é composta pelos municípios do Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Espinho e Valongo, abrangendo cerca de 10% da população portuguesa.

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