

A fabricante japonesa Toyota, líder mundial do setor automóvel, anunciou esta sexta-feira, 6, um lucro líquido de 3,03 biliões de ienes (16,4 mil milhões de euros) entre abril e dezembro, representando uma queda homóloga de 26,1%.
A empresa reviu, no entanto, em alta a previsão para os lucros do ano fiscal de 2025, que termina a 31 de março, explicando que o aumento das vendas, estimulado pela desvalorização do iene, deverá compensar o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A Toyota fixou a sua taxa de câmbio estimada para o dólar norte-americano e o euro numa média de 150 ienes e 174 ienes, respectivamente, para o atual ano fiscal, acima das estimativas anteriores de 146 ienes e 169 ienes, respectivamente. Um iene mais fraco inflaciona os lucros no exterior quando repatriados, elevando as perspectivas de ganhos da empresa.
O lucro operacional da fabricante japonesa caiu 13,1% em termos homólogos, para 3,2 biliões de ienes (17,3 mil milhões de euros), enquanto a receita de vendas cresceu 6,8%, para 38,1 biliões de ienes (206,1 mil milhões de euros).
"Apesar do impacto contínuo das tarifas norte-americanas, a forte procura, impulsionada por produtos competitivos, levou ao aumento do volume de vendas, e alcançámos um elevado nível de lucro devido aos ajustes de preços", explicou a Toyota.
Graças aos fortes números de vendas, a empresa elevou a previsão de lucro líquido para o ano fiscal completo, que termina em março, para 3,57 biliões de ienes (19,3 mil milhões de euros).
De acordo com o relatório financeiro da Toyota, isto representa uma queda homóloga de 25,1%, mas é significativamente melhor do que a queda de 38,5% projetada em novembro.
A empresa explicou que conseguiu mitigar o impacto negativo das tarifas norte-americanas, estimado em 1,45 biliões de ienes (7,85 mil milhões de euros) através da implementação de "reduções de custos e esforços de marketing".
Em 29 de janeiro, a Toyota anunciou que vendeu mais de 11,3 milhões de veículos em 2025, um novo recorde que consolida a fabricante japonesa como líder mundial do setor automóvel pelo sexto ano consecutivo.
Além dos resultados financeiros, a empresa anunciou hoje uma reorganização da gestão de topo, incluindo a nomeação de Kenta Kon, atual diretor de operações, como presidente e diretor-executivo.
Kon irá substituir Koji Sato, que ocupava o cargo desde abril de 2023, e que se tornará, a partir de 01 de abril, vice-presidente e chefe da recém-criada divisão industrial.
A mudança de funções "visa agilizar a tomada de decisões de gestão em resposta às alterações do ambiente interno e externo", afirmou a Toyota.
Kon irá concentrar-se na gestão interna da Toyota, enquanto Sato ocupar-se-á "da indústria em geral", além de desempenhar as funções de presidente da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis.
A reestruturação acontece numa altura em que a Toyota procura fechar o controlo da divisão industrial, a Toyota Industries, através de uma oferta pública de aquisição que termina na próxima semana.
A Toyota Motor detém apenas cerca de 25% da subsidiária, que fornece componentes e equipamentos industriais.
A operação enfrenta forte oposição do fundo de investimento ativista Elliott Investment Management, que acredita que a proposta subestima o valor da empresa.
As ações da gigante automóvel subiram 2% na sessão de hoje da Bolsa de Tóquio.