

A EDP registou lucros de 378 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, uma quebra de 12% face ao mesmo período de 2025. De acordo com a elétrica portuguesa, numa nota enviada à CMVM, "esta variação reflete sobretudo a redução observada nos preços de venda de eletricidade em Portugal e Espanha".
Já o EBITDA recorrente "caiu 3% face ao período homólogo (ou apenas -1% quando excluídos os efeitos de variações cambiais) para €1,4 mil milhões", salientou a empresa liderada por Miguel Stilwell. O EBITDA do segmento de redes de eletricidade aumentou 9%, "em resultado de uma subida do EBITDA das redes Ibéricas de +16%, devido ao aumento do investimento nos novos períodos regulatórios em Portugal e Espanha que tiveram início este trimestre".
A dívida líquida totalizou 15,7 mil milhões de euros, refletindo "o investimento realizado e fluxo de caixa orgânico gerado", assim como a valorização do Real (Brasil) face ao euro.
De acordo com a empresa, os custos operacionais líquidos apresentaram uma redução significativa de 3% em termos recorrentes. Já os
custos financeiros líquidos aumentaram 7%, "impactados pelo aumento do custo médio da dívida em 20 pontos-base, para 5,1% (ou 3,4% excluindo a dívida denominada em reais".
No Investimento global, a EDP evidenciou uma descida nos três primeiros meses do ano. O investimento operacional consolidado caiu 26%, para 653 milhões de euros (face aos 877 milhões do primeiro trimestre de 2025). Por geografias, os Estados Unidos e Portugal representaram 55% de todo o capex (29% nos EUA e 26% em Portugal).
Em declarações à Lusa após a divulgação dos resultados, o CEO da EDP desvalorizou a eventual aplicação de um imposto sobre os lucros excessivos das empresas de energia, realçando que o setor não está a beneficiar com a subida dos preços da energia, devido à guerra no Irão.
"Relativamente ao setor elétrico, não vejo que haja lucros excessivos", destacou, apontando que, no caso da Península Ibérica e do setor elétrico em Portugal, "isso é particularmente verdade", indicou Miguel Stilwell d’Andrade, quando questionado pela Lusa sobre esta possibilidade.
"Como nós temos uma grande penetração de renováveis, o preço do gás nem nos impacta tanto. Portanto, acho que não há aqui esse efeito de subida de preço ou de algum tipo de lucro excessivo", indicou, realçando ainda assim que "obviamente o Governo é soberano nessas coisas".
O presidente executivo da EDP indicou que o conflito, tem "obviamente, o efeito de subir o preço do petróleo e do gás", mas realçou que "a Península Ibérica, no mercado elétrico, não tem grande dependência do gás, felizmente".
Segundo o CEO, os preços, no primeiro trimestre, até baixaram, com os efeitos do mau tempo em Portugal. "Foram quase metade dos do ano passado, o que só mostra que quando temos água, vento e sol, até somos relativamente imunes a esse tipo de volatilidade", destacou.
C/Lusa