Lufthansa: Concorrente à TAP reduz prejuízos para 665 milhões e mantém metas apesar da crise no Médio Oriente

Companhia garante que cerca de 80% das necessidades de querosene para este ano já estão protegidas contra subidas de preços através de instrumentos financeiros de cobertura (‘hedging’)
Lufthansa: Concorrente à TAP reduz prejuízos para 665 milhões e mantém metas apesar da crise no Médio Oriente
Kirill KUDRYAVTSEV AFP
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A Lufthansa reduziu os prejuízos no primeiro trimestre e manteve as perspetivas anuais, apesar de a crise no Médio Oriente estar a agravar os custos com combustível, com um impacto adicional estimado em 1,7 mil milhões de euros.

O grupo alemão alertou que o encerramento do estreito de Ormuz está a provocar escassez no fornecimento de querosene e uma subida significativa dos preços. Ainda assim, cerca de 80% das necessidades de querosene para este ano já estão protegidas contra subidas de preços através de instrumentos financeiros de cobertura (‘hedging’).

Entre janeiro e março, a Lufthansa registou um prejuízo líquido de 665 milhões de euros, abaixo das perdas de 885 milhões apuradas no mesmo período do ano passado.

O resultado operacional ajustado (Adjusted EBIT) também melhorou, passando de 722 milhões negativos para 612 milhões de euros negativos, enquanto as receitas aumentaram 8%, para 8,7 mil milhões.

As receitas totais aumentaram 8%, para 8,7 mil milhões de euros, um novo máximo para um primeiro trimestre, que é tradicionalmente o período mais fraco do ano para as companhias aéreas devido à menor procura sazonal por viagens.

“A crise em curso no Médio Oriente, combinada com o aumento dos custos do combustível e constrangimentos operacionais, representa enormes desafios para o mundo como um todo, para o transporte aéreo global e também para a nossa empresa”, afirmou o presidente executivo do Grupo, Carsten Spohr, citado em comunicado.

O gestor defendeu, contudo, que o grupo está “resiliente” e destacou a proteção contra oscilações nos preços do combustível e a presença em vários aeroportos de ligação (multi-hub), através de diferentes companhias aéreas, como fatores que dão maior flexibilidade à Lufthansa.

Nas companhias aéreas de rede, que incluem Lufthansa, Swiss, Austrian Airlines e Brussels Airlines, o prejuízo operacional ajustado melhorou em 135 milhões de euros, para 605 milhões de euros negativos.

A taxa de ocupação subiu para 81,9% e as receitas unitárias aumentaram 3,3%, impulsionadas por uma forte procura em março, após reduções de capacidade através de ‘hubs’ - plataformas giratórias de distribuição de voos - do Médio Oriente.

O grupo ajustou a programação para responder ao aumento da procura, sobretudo em rotas para a Ásia e África, acrescentando voos adicionais.

Já a Eurowings retirou temporariamente do programa ligações para a região do Golfo, anteriormente em forte crescimento, e o segmento ponto-a-ponto agravou o prejuízo operacional ajustado em 14 milhões de euros, para -215 milhões.

Fora do transporte de passageiros, a Lufthansa Cargo melhorou o resultado operacional ajustado para 83 milhões de euros, face aos 62 milhões no ano anterior, beneficiando do aumento da capacidade e da subida da receita média por carga transportada (yield), em especial em março.

Já a Lufthansa Technik, empresa do grupo dedicada à manutenção e reparação de aeronaves e que prepara a abertura de uma unidade em Santa Maria da Feira, registou um resultado operacional ajustado de 158 milhões de euros, praticamente em linha com os 161 milhões do período homólogo.

A dívida líquida do grupo caiu para 5,3 mil milhões de euros no final de março, contra 6,4 mil milhões no final de 2025, enquanto a liquidez disponível se situava em 10,3 mil milhões de euros.

Apesar da melhoria dos resultados, a Lufthansa alertou que o encerramento do estreito de Ormuz está a provocar escassez no fornecimento de querosene e aumentos dos preços, criando custos adicionais estimados em 1,7 mil milhões de euros em 2026.

Ainda assim, mantém a previsão de alcançar em 2026 um resultado operacional ajustado “significativamente acima” dos 1.960 milhões de euros registados no ano anterior, apoiado na procura robusta, na otimização da rede, no desempenho da carga aérea e em medidas adicionais de controlo de custos.

A par com a Air France-KLM, a Lufthansa está na corrida pela privatização de até 49,9 do capital da TAP.

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