

O maior criador de porcos da China, Muyuan Foods, vai protagonizar esta semana a maior entrada em bolsa realizada este ano em Hong Kong, esperando angariar o equivalente a 1,16 mil milhões de euros.
Num comunicado enviado hoje à praça financeira da antiga colónia britânica, a empresa confirmou que o preço das quase 274 milhões de ações que colocará à venda será de 39 dólares de Hong Kong (4,24 euros) por unidade, o valor máximo avançado no prospeto para investidores.
Com a operação, a Muyuan superará ligeiramente o montante angariado pelo grupo chinês Eastroc Beverage, produtor de bebidas energéticas, que também se estreou esta semana no mercado de Hong Kong com uma emissão de 10,1 mil milhões de dólares de Hong Kong (1,1 mil milhões de euros). As ações da Eastroc acumularam já uma valorização próxima dos 13%, após uma estreia discreta.
A estreia da Muyuan na praça financeira de Hong Kong está marcada para sexta-feira, 6 de fevereiro.
Segundo a empresa, os fundos captados servirão para diversificar os mercados – com referências específicas ao Vietname e à Tailândia – e cadeias de abastecimento, bem como para financiar projetos de investigação e desenvolvimento destinados a consolidar a sua vantagem competitiva na criação de suínos, pecuária 'inteligente', gestão nutricional e biossegurança.
Apesar de tirar partido de uma fase favorável para ofertas públicas iniciais em Hong Kong, a Muyuan enfrenta atualmente um contexto desfavorável, marcado pela queda dos preços da carne de porco – a mais consumida pelos chineses – devido a um excesso de oferta e ao abrandamento da procura, reflexo das dificuldades da economia chinesa.
Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, uma executiva do banco de investimento norte-americano Morgan Stanley previu que a Bolsa de Valores de Hong Kong possa caminhar para mais um ano recorde, depois de ter atraído 119 novas empresas em 2025 e somado quase 37 mil milhões de dólares (31 mil milhões de euros)em entradas em bolsa, o maior valor mundial nesse tipo de operações.
De acordo com o banco norte-americano, os principais impulsionadores em 2026 deverão ser os setores da tecnologia – com destaque para o entusiasmo em torno da inteligência artificial registado em 2025 –, os serviços de saúde e a indústria, num contexto de “crescente apetência” dos investidores internacionais por ativos chineses.