

Mais de 14% do crédito concedido pelo banco BCI, o maior em Moçambique, liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), estava em incumprimento em dezembro, mas outros bancos mantinham igualmente rácios acima dos 5% recomendados pelo regulador.
No relatório do Banco de Moçambique sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros de outubro a dezembro, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) surge com um rácio de crédito em incumprimento (NPL, na sigla em inglês) de 14,18%, contra 13,89% no trimestre anterior, mas com 20,76% desse valor coberto.
Já o Millennium BIM, outro dos dois dos maiores do país e detido pelo português BCP, viu o rácio de crédito em incumprimento no quatro trimestre do ano subir, de 2,69% para 3,62%, com um rácio de cobertura de 88,94%.
No trimestre anterior, no relatório do Banco de Moçambique, o Ecobank surgia com 78,54% do crédito concedido em incumprimento, contra 42,66% no final de 2024.
Entretanto, o FDH Bank, do Maláui, confirmou no final de setembro ter concluído a aquisição do Ecobank Moçambique, que passou a liderar, com uma quota de 98,87%, conforme informação enviada à bolsa de valores daquele país.
A instituição, que a partir de 20 de fevereiro passa oficialmente a designar-se FDH Bank Moçambique, surge agora com um volume de NPL de apenas 1,62%, sem qualquer explicação no documento para esta redução.
Segundo o relatório, o Moza Banco fechou 2025 com um rácio de crédito malparado de 29,21%, reduzindo face aos mais de 40% dos trimestres anteriores, enquanto o Access Bank reduziu esse registo de 10,26% para 6,96% em três meses.
Elaborado com base em dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras, o documento aponta que o First National Bank (FNB), Standard Bank, First Capital Bank (FCB) e Absa apresentavam um rácio de NPL dentro do parâmetro recomendado (abaixo de 5%), respetivamente de 4,88%, 8,64%, 2,42% e 3,11%.
O Banco de Moçambique alertou anteriormente para a deterioração na carteira de crédito da banca nacional, com o incumprimento a subir em 2024 e os clientes a deverem o equivalente a mais de 400 milhões de euros.
No relatório de estabilidade financeira, o banco central refere que o rácio de NPL fixou-se em 2024 em 9,32% do total, contra 8,23% no ano anterior, "continuando acima do limite máximo de 5,0%, convencionalmente aceite".
"Este aumento reflete uma deterioração da qualidade da carteira de crédito e a mudança da tendência registada nos anos anteriores", lê-se no documento, que acrescenta que o crédito em incumprimento totalizou 30,41 mil milhões de meticais (412 milhões de euros) em 2024, um aumento de 12,88%.
Dados do banco central indicam que funcionam atualmente em Moçambique 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.