

O valor das marcas do portefólio da insolvente Trust in News (TiN) ronda os 500 mil euros, segundo um relatório de avaliação económica elaborado pela consultora ClarkeModet, a que a agência Lusa teve hoje acesso.
De acordo com o relatório, o valor total das marcas de imprensa e publicações periódicas da TiN varia entre os 496.066 euros (método conservador) e os 526.099 euros (método otimista), dos quais 450.482 euros a 480.514 euros relativos à marca Visão e respetivas extensões e 45.584 euros respeitantes às marcas sem exploração comercial.
A avaliação económica dos ativos da TiN foi requerida no âmbito do processo de insolvência da empresa, tendo sido concluída a 27 de fevereiro.
Fundada em 2017, a TiN é detentora de 16 órgãos de comunicação social, em papel e plataformas digitais, como a Visão, Exame, Caras, Courrier Internacional, Jornal de Letras, Activa, Telenovelas, TV Mais, entre outros.
Segundo a ClarkeModet, “apesar do atual processo de insolvência, algumas marcas mantêm relevância e reconhecimento no mercado, constituindo um conjunto de ativos editoriais e de propriedade intelectual (PI) relevante”.
O portefólio da TiN integra 54 registos de marcas, cujos pedidos foram realizados entre 1990 e 2019, sendo 52 registadas em Portugal, uma no Reino Unido e uma outra na União Europeia.
Atualmente, quatro das marcas registadas em Portugal não se encontram juridicamente ativas – Prima, A nossa Prima, Volt e Girl Talk – pelo que não foram incluídas na avaliação agora feita.
As restantes marcas encontram-se com o respetivo processo administrativo suspenso, sendo que, segundo o relatório, 14 marcas registadas em Portugal, com o nome Visão e extensões, se encontram, “à data atual, a ser comercializadas no território português”, enquanto as restantes, apesar de juridicamente ativas, não estão atualmente em comercialização.
Para estimar o valor atual de mercado das marcas avaliadas, a ClarkeModet diz ter considerado “a natureza da propriedade, bem como o nível e o âmbito de proteção proporcionada pelos diversos registos” e “o nível de utilização ou exploração atual dos ativos, bem como a sua correspondência com os rendimentos obtidos”.
No caso das marcas que ainda se encontram a ser comercializadas, a avaliação teve ainda em conta “o potencial para gerar receitas futuras associadas, considerando o histórico de atuação e a conjuntura económica e do mercado em particular”, assim como “o risco associado ao investimento, relacionado com a estabilidade dos resultados e o potencial de mercado”, refletidos nos fluxos de rendimento expectáveis.
A assembleia de credores da TiN aprovou a 01 de outubro do ano passado a cessação da atividade da empresa, com os principais credores a pedirem uma avaliação das publicações, segundo adiantou na altura à Lusa o representante dos trabalhadores.
Dias depois, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou para que Segurança Social e o fisco retirassem a exigência desta “dispendiosa e morosa” avaliação prévia à venda dos títulos da TiN, tendo o administrador de insolvência alertado que não havia verbas para encomendar a avaliação.
Em comunicado, o SJ lembrou que o Jornal de Letras e a Visão tinham propostas de compra que “partiram do diretor do primeiro, José Carlos Vasconcelos, e de um grupo de 15 jornalistas no segundo”, considerando “preferível a gestão de órgãos de comunicação social por jornalistas, sendo necessário garantir a viabilidade económica das publicações para assegurar a manutenção e reforço de cada redação”.
A estrutura sindical recordou ainda que o empresário Armando Batista, da AEIOU, fez uma proposta de compra da Visão, por 100.000 euros, “que supera a oferta de 40.000 euros apresentada pelo grupo de jornalistas do título, a quem o SJ ofereceu apoio logístico, administrativo e jurídico, por entender os benefícios de um projeto de jornalismo dirigido por jornalistas”.