

A Mastercard apresentou o Centro de Excelência para a Inovação, em Lisboa. Ali, mais de 600 profissionais desenvolvem tecnologia que permite à empresa desenvolver agentes de IA que conseguirão fazer compras online de forma automática, mediante instruções prévias, de acordo com a informação partilhada nesta terça-feira, 5 de maio.
"Nós hoje estamos muito para lá do cartão", ao contrário do que pode parecer a quem vê de fora, diz o country manager da Mastercard em Portugal, Paulo Raposo, à margem do evento. Isto porque começou por processar pagamentos, no século passado e, neste momento, é "fundamentalmente uma empresa de tecnologia", que desenvolve soluções com o propósito de melhorar a experiência de compra.
Em causa está o desenvolvimento de Agentic AI. Falamos de agentes desenvolvidos através de IA que têm capacidade para procurar a melhor oferta, no que diz respeito ao produto ou serviço que o consumidor procura. A tecnologia vai permitir, inclusive, escolher o cartão mais indicado para realizar o pagamento, em virtude de eventuais programas de pontos, mediante o vendedor e o valor da compra.
De acordo com uma demonstração feita no local, é possível procurar a melhor das ofertas existentes e avançar para a mesma no momento. Imaginando que o consumidor procura um preço mais baixo, poderá dar instruções para a compra se tornar efetiva em caso de haver uma redução no preço (em época de saldos, por exemplo).
Para tornar isto possível, a gigante empresarial conta com "mais de 600" trabalhadores naqueles escritórios. Entre estes números estão "quadros altamente qualificados em engenharia de software, ciência de dados e gestão", por exemplo. Em causa está não apenas na atração de talento local, como também estrangeiro e portugueses que trabalhavam lá fora (alguns dos quais noutras empresas e outros já trabalhavam na Mastercard no estrangeiro).
Tudo diz respeito ao centro de excelência localizado em Lisboa, num processo realizado em rede com os de Madrid e Amesterdão, entre outros. "Todos os hubs têm um core; o nosso é, basicamente, a inovação", esclareceu Paulo Raposo, numa conversa com os jornalistas presentes.
Segurança como pilar
A Mastercard garante total segurança, na medida em que os modelos de linguagem que suportam a tecnologia não recebem dados concretos dos cartões. O motivo é o facto de que tudo é feito através de tokens, que permitem concluir os pagamentos sem ceder informações.
Futuro dos pagamentos
Olhando para o Euro Digital, que deverá ser lançado pelo BCE no final da década, o country manager da Mastercard em Portugal diz que "concorrência é bom", na medida em que estimula o desenvolvimento. Em simultâneo, "queremos que os consumidores tenham opções de escolha", acrescenta.
Questionado sobre estimativas de crescimento para os próximos anos, não divulga números. Porém, "nada nos diz que não vamos continuar a crescer", salienta.