Mastercard está "muito para lá dos cartões", diz líder da empresa em Portugal

Os agentes de IA vão permitir a qualquer consumidor dar instruções para uma compra acontecer quando o preço baixar, por exemplo. A garantia é de Paulo Raposo, country manager em Portugal.
Carlos Moedas e Miguel Pinto Luz marcaram presença na apresentação do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard, em Lisboa.
Carlos Moedas e Miguel Pinto Luz marcaram presença na apresentação do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard, em Lisboa.
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A Mastercard apresentou o Centro de Excelência para a Inovação, em Lisboa. Ali, mais de 600 profissionais desenvolvem tecnologia que permite à empresa desenvolver agentes de IA que conseguirão fazer compras online de forma automática, mediante instruções prévias, de acordo com a informação partilhada nesta terça-feira, 5 de maio.

"Nós hoje estamos muito para lá do cartão", ao contrário do que pode parecer a quem vê de fora, diz o country manager da Mastercard em Portugal, Paulo Raposo, à margem do evento. Isto porque começou por processar pagamentos, no século passado e, neste momento, é "fundamentalmente uma empresa de tecnologia", que desenvolve soluções com o propósito de melhorar a experiência de compra.

Em causa está o desenvolvimento de Agentic AI. Falamos de agentes desenvolvidos através de IA que têm capacidade para procurar a melhor oferta, no que diz respeito ao produto ou serviço que o consumidor procura. A tecnologia vai permitir, inclusive, escolher o cartão mais indicado para realizar o pagamento, em virtude de eventuais programas de pontos, mediante o vendedor e o valor da compra.

De acordo com uma demonstração feita no local, é possível procurar a melhor das ofertas existentes e avançar para a mesma no momento. Imaginando que o consumidor procura um preço mais baixo, poderá dar instruções para a compra se tornar efetiva em caso de haver uma redução no preço (em época de saldos, por exemplo).

Jorn Lambert, Chief Product Officer da Mastercard, realizou uma demonstração da tecnologia.
Jorn Lambert, Chief Product Officer da Mastercard, realizou uma demonstração da tecnologia.

Para tornar isto possível, a gigante empresarial conta com "mais de 600" trabalhadores naqueles escritórios. Entre estes números estão "quadros altamente qualificados em engenharia de software, ciência de dados e gestão", por exemplo. Em causa está não apenas na atração de talento local, como também estrangeiro e portugueses que trabalhavam lá fora (alguns dos quais noutras empresas e outros já trabalhavam na Mastercard no estrangeiro).

Tudo diz respeito ao centro de excelência localizado em Lisboa, num processo realizado em rede com os de Madrid e Amesterdão, entre outros. "Todos os hubs têm um core; o nosso é, basicamente, a inovação", esclareceu Paulo Raposo, numa conversa com os jornalistas presentes.

Segurança como pilar

A Mastercard garante total segurança, na medida em que os modelos de linguagem que suportam a tecnologia não recebem dados concretos dos cartões. O motivo é o facto de que tudo é feito através de tokens, que permitem concluir os pagamentos sem ceder informações.

Futuro dos pagamentos

Olhando para o Euro Digital, que deverá ser lançado pelo BCE no final da década, o country manager da Mastercard em Portugal diz que "concorrência é bom", na medida em que estimula o desenvolvimento. Em simultâneo, "queremos que os consumidores tenham opções de escolha", acrescenta.

Questionado sobre estimativas de crescimento para os próximos anos, não divulga números. Porém, "nada nos diz que não vamos continuar a crescer", salienta.

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