Mota-Engil quer faturar 9 mil milhões em 2030

Nos próximos cinco anos, o objetivo do grupo português é crescer e consolidar a liderança nos seus principais mercados, através de grandes projetos de infraestruturas, e explorar novas geografias.
Mota-Engil quer faturar 9 mil milhões em 2030
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Disciplina financeira. Em duas palavras apenas, o presidente do Grupo Mota-Engil, Carlos Mota Santos, definiu a principal prioridade do grupo português até 2030. Mas temperada com ambição de crescimento: a Mota quer praticamente duplicar a faturação até esse ano, atingindo 9 mil milhões de euros (face aos 5,3 mil milhoes em 2025).  

“Temos apostado em diferentes projetos que podem proporcionar margens diferenciadas e permitir-nos crescer e ser ainda mais competitivos em todos os mercados em que operamos. A principal prioridade para este novo ciclo é a disciplina financeira. Precisamos de chegar a 2030 com um balanço mais robusto e sólido. Assim, a geração de cash-flow e o reforço do balanço são prioridades máximas, com o objetivo de garantir um rácio de solvabilidade acima dos 18% até 2030 e uma conversão do free cash flow em valor intrínseco superior a 25%”, indicou Carlos Mota Santos, na abertura do primeiro Capital Markets Day do grupo, esta quarta-feira, em Lisboa.  

O responsável do grupo disse que o caminho dos últimos anos até 2026 ficou pontilhado por subidas sucessivas nos rankings de performance, o que se reflete depois nos números da empresa. 

“Somos líderes globais em todos os mercados. Temos um portefólio equilibrado de receitas em três continentes. Atuamos em 23 países na Europa e estamos em 11º lugar no ranking (estava em 13º em 2021). Somos o número um em Portugal. Somos o número dois da América Latina, contra o 7º lugar em 2021. E somos o número seis em África”, sublinhou.

No setor das infraestruturas, salientou Carlos Mota Santos, “não existe nenhuma outra empresa da Europa, do continente americano ou de qualquer país asiático que não a China, com uma operação maior do que a que a Mota Engil tem hoje em África”.

Durante este último ciclo da empresa, de 2021 a 2026, as receitas da Mota-Engil cresceram para 5,3 mil milhões de euros (em 2025). “Executámos uma carteira de encomendas muito robusta que nos permitiu não só duplicar a nossa receita, mas também aumentar a nossa capacidade e alargar a carteira de encomendas que temos hoje. Assim, conseguimos um forte crescimento, ao mesmo tempo que melhorámos a rentabilidade. A receita, como disse, cresceu para mais de 5,3 mil milhões em 2025. E o EBITDA cresceu 24% no total no período entre 2021 e 2025, atingindo um margem histórica de 18% no final do ano passado”.

Nos próximos cinco anos, o objetivo é crescer e consolidar a liderança da Mota-Engil nos mercados 'core' (principais), através de grandes projetos de infraestruturas, explorar novos mercados, diversificar e maximizar sinergias, melhorar a geração de caixa e o controlo de custos, reforçar o capital próprio e ainda remunerar o acionista.

Três pilares até 2030

Assim, a estratégia da Mota-Engil vai centrar-se em três prioridades principais: crescimento, diversificação e disciplina financeira. 

No crescimento, o grupo que consolidar a liderança nos mercados de engenharia e construção em que opera. “Selecionando construtores para projetos atrativos, envolvendo-nos com parceiros locais, parcerias de capital, parceiros comerciais, fornecedores locais e subempreiteiros locais, com excelência na execução. Mantendo o nosso histórico e a rentabilidade que temos vindo a alcançar nos últimos anos”, referiu o presidente do grupo. 

A diversificação vai passar por sinergias para “desbloquear o próximo crescimento”. “O próximo ciclo dá-se através das plataformas sinérgicas, sempre com alocações de capital disciplinadas, alinhadas com a nossa estratégia financeira e com a captura de vendas cruzadas entre negócios e com a otimização das eficiências operacionais dentro da empresa”, afirmou.

O terceiro pilar será o da disciplina financeira, “reforçando o balanço”. “Por isso, precisamos de nos focar na geração de cash-flow para preservar a nossa liquidez e melhorar a nossa posição patrimonial, não só através de uma gestão disciplinada da dívida, pois vamos aumentar o património da empresa e do grupo organicamente, mas também através de parcerias estratégicas em negócios e projetos que nos permitam ter uma política de capital mais inteligente e, claro, gerar retornos atrativos para os acionistas ao longo do ciclo”.

“Assim, até 2030, atingiremos uma receita de 9 mil milhões de euros. E um crescimento bruto de 11% ao ano, mantendo a rentabilidade do EBITDA e aumentando o EBIT para 13%. (…) Por conseguinte, estamos a construir um modelo de resultados mais diversificado e resiliente, no qual a engenharia e a construção continuarão a ser o motor de crescimento e de geração de cash-flow. A nossa engenharia e construção são o núcleo da empresa, o cerne da nossa atividade em projetos de elevado valor”, concluiu Carlos Mota Santos.

As três dimensões da estratégia da Mota-Engil, disse ainda, serão construídas sobre diferentes fatores-chave: pessoas, tecnologia, eficiência operacional e inovação. “Sempre dentro ou envolvidas com a sustentabilidade em todas as nossas operações”.

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