Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica.
Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica.FOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Novo Banco põe à venda património e créditos de Vieira para travar buraco de 400 milhões

Banco iniciou, através da consultora KPMG, o "Project Horizon", uma operação de mercado que visa receber propostas vinculativas até outubro para despachar ativos problemáticos do ex-presidente do Benfica.
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O Novo Banco está a implementar uma estratégia abrangente para se desfazer de diversos créditos, imóveis e participações de Luís Filipe Vieira, que acumulou dívidas superiores a 400 milhões de euros para com a instituição, avança o ECO. Esta operação, designada "Project Horizon" e conduzida pela consultora KPMG, visa a venda de ativos problemáticos associados ao ex-presidente do Benfica.

Segundo a mesma publicação, as sondagens a investidores já começaram, e espera-se que as propostas vinculativas sejam apresentadas até outubro, enquanto as ofertas não vinculativas estão atualmente a ser analisadas. O leque de ativos inclui terrenos sem licenciamento nas proximidades de Lisboa e no Algarve, um edifício de escritórios em Maputo, bem como participações nas sociedades imobiliárias Promovalor e Inland, que passaram a ser controladas pelo Novo Banco este ano.

A entidade bancária, que já tentou recuperar estas dívidas através de várias iniciativas, enfrenta agora um desafio significativo, pois a maior parte da dívida foi considerada como perdida e coberta pelo Fundo de Resolução. As participações na Promovalor e na Inland, adquiridas após uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, estão avaliadas em zero euros no balanço do banco.

Neste contexto, a KPMG estará a persuadir os investidores de que existe uma oportunidade de valorização através da execução de direitos contratuais relacionados com um montante de 352 milhões de euros, que poderão permitir o acesso ao património dos beneficiários efetivos, incluindo Luís Filipe Vieira.

Durante uma aparição no Parlamento, Vieira destacou que possuía múltiplos negócios não vinculados ao Novo Banco, afirmando que "vivemos bem". A entidade bancária já começou a executar ativos, incluindo ações da SAD do Benfica, que foram vendidas a um fundo americano em leilão.

Os terrenos em questão, que totalizam um valor estimado de 56 milhões de euros, não têm licenciamento, tornando-se um risco para a recuperação das dívidas, que rondam os 65 milhões de euros. O edifício em Maputo, avaliado em cerca de 20 milhões de euros, gera uma renda anual de aproximadamente 900 mil euros, mas apresenta uma taxa de ocupação de apenas 35%.

Ambos os tipos de ativos estão integrados no Fundo de Investimento Alternativo Especial (FIAE) gerido pela C2 Capital, que ambiciona rentabilizar os ativos e saldar a dívida do grupo de Vieira. Contudo, o plano foi considerado “irrealista” pelos serviços do Banco de Portugal.

Enquanto alguns ativos, como um hotel na Reserva do Paiva no Brasil, já foram vendidos, o Novo Banco procura agora liquidar as suas participações, de modo a mitigar as perdas associadas a este complexo caso financeiro.

Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica.
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