Ao longo da entrevista, no Palácio da Bolsa, critica o centralismo de Lisboa, alerta para a falta de visibilidade política e mediática do Norte.
Ao longo da entrevista, no Palácio da Bolsa, critica o centralismo de Lisboa, alerta para a falta de visibilidade política e mediática do Norte.Foto: DR

Nuno Botelho. “O Porto tem tudo para ser uma grande capital do noroeste

Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, defende uma nova relação entre a Câmara e a sociedade civil, critica o centralismo de Lisboa e a falta de visibilidade do Norte e alerta para a necessidade de aumentar a escala das empresas. Nesta entrevista, aponta ainda desafios ao modelo turístico e à capacidade de reter talento na região.
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Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, defende uma nova relação entre a Câmara do Porto e a sociedade civil, com menos protagonismo municipal e mais apoio às instituições que já fazem a cidade funcionar. Ao longo da entrevista, no Palácio da Bolsa, critica o centralismo de Lisboa, alerta para a falta de visibilidade política e mediática do Norte e sustenta que a região, apesar do seu peso nas exportações, continua sem criar a riqueza e os salários de que necessita. Defende ainda um turismo com maior valor acrescentado, uma maior capacidade de cooperação entre empresas, a revisão da carga fiscal e uma aposta estratégica na ferrovia, ligando o Porto a Lisboa e a Vigo

Com a mudança de liderança na Câmara Municipal do Porto, que tipo de relação espera estabelecer entre a autarquia e a Associação Comercial do Porto?
Vai haver mudanças, já há mudanças. Desde logo, uma grande mudança - Pedro Duarte e eu temos a mesma idade, fomos colegas de escola e de universidade, sempre tivemos um bom relacionamento, e isso sente-se. Existe uma interação com a câmara do Porto mais intensa, muito positiva e há auscultação recíproca sobre uma série de questões. E muita expectativa de que as coisas sejam mais profícuas para a cidade.

A cooperação entre a autarquia e o tecido empresarial tem sido suficiente? O que poderia melhorar concretamente?
Pode ser melhor. Uma câmara como a do Porto tem a sorte de ter uma sociedade civil e um conjunto de instituições à sua volta que põem a cidade a funcionar. Facilita muito a um presidente de câmara ter uma sociedade civil e um conjunto de instituições que de facto facilitem a vida às pessoas. Falo da Associação Comercial do Porto, da Associação Empresarial, da Santa Casa da Misericórdia na área social, da própria rede social da Igreja também, com uma malha muito fina que chega e acode a muitas situações. Se formos ao campo cultural temos a Casa da Música. Serralves. Ou seja, há uma sociedade civil forte, pujante, que quer fazer coisas, que quer trabalhar. Um conjunto de entidades que facilmente conseguem dar resposta. Cabe à Câmara do Porto criar as condições para não atrapalhar muito. Saindo da frente é ajudar. Tenho dito isso muitas vezes, inclusivamente ao atual presidente da Câmara. O papel deles é ajudar essas entidades. E isso pode melhorar? Pode.

Rui Moreira, que também já presidiu à Associação Comercial do Porto (Câmara do Comércio e Indústria do Porto), “municipalizou” demais?
Sem querer comentar o trabalho do anterior presidente, posso no entanto dizer que a Câmara do Porto acabou por querer fazer tudo, quer na rede social, quer, sobretudo, com as empresas. Portanto, sim, houve uma tentativa de municipalização de tudo, visando uma série de questões em que não era necessário fazê-lo. Agora, há que devolver à sociedade civil aquilo que é da sociedade civil. Devendo a Câmara ocupar-se das tarefas que são de facto sua responsabilidade - a limpeza urbana, a segurança, a mobilidade, os espaços verdes. Ou seja, a qualidade de vida dos portuenses.

A cidade tem vivido uma forte transformação económica e turística. A Câmara tem conseguido equilibrar crescimento económico e qualidade de vida para quem vive e trabalha no Porto?
Ponto prévio – sou absolutamente favorável ao turismo. O discurso de que a gentrificação é consequência do turismo é erróneo. Já não vive gente no centro do Porto há muitos anos. Começou nas décadas de 80 e 90 e foi-se acentuando. Os portuenses foram saindo naturalmente do centro da cidade porque, é bom que as pessoas percebam, nas cidades evoluídas, os centros das cidades são as zonas normalmente mais caras. Depois, o edificado, fruto da antiga lei das rendas, estava muito degradado. Ninguém gostava de morar aqui. O turismo abriu portas a uma requalificação urbana muito grande. Aliás, o Porto, nesse aspeto, foi pioneiro com a Sociedade de Reabilitação Urbana, que em poucos anos devolveu à cidade muito edificado reabilitado, preservando o património. Hoje o Porto é uma cidade muito boa para se visitar e que permanece intacta, com uma raiz histórica muito clara. O turismo veio trazer a almofada financeira para permitir estes investimentos, foi graças ao turismo que as pessoas investiram e acreditaram no negócio.

Dito isto, estamos agora numa altura em que deveremos pensar no tipo de turismo que queremos ter. E aí eu sou um pouco crítico da política que está a ser seguida. Mais do que bater recordes de número de visitantes, temos de ter melhores visitantes, com mais poder aquisitivo. Visitantes que deixem mais dinheiro, usem os nossos restaurantes, consumam nos nossos bares, aluguem carros.

Há uma sociedade civil forte, pujante, que quer fazer coisas, que quer trabalhar. Um conjunto de entidades que facilmente conseguem dar resposta. Cabe à Câmara do Porto criar as condições para não atrapalhar muito. Saindo da frente é ajudar. Tenho dito isso muitas vezes, inclusivamente ao atual presidente da Câmara.

O que é que vê hoje?
Hoje, vejo turistas com o dinheiro contado. Não entram nos restaurantes e, quando entram, comem pouco ou nada. Vejo um turista com pouco poder aquisitivo. Depois de criada a apetência internacional pelo Porto - com sucesso -, temos agora de criar apetência pelo turista com capacidade aquisitiva. Privilegiar um turista que deixe um valor acrescentado.

O que falta fazer?
Falta claramente uma aposta em rotas que nos tragam esses turistas. Estamos a apostar e bem nos Estados Unidos, que é de facto um turista muito interessante, mas deveríamos sedimentar uma oferta para o turista brasileiro, coisa que no passado fizemos e deixámos cair na pandemia, quando a TAP deixou de fazer esse serviço. Enquanto destino, o Porto foi muito prejudicado. O brasileiro chegou a ser o segundo ou terceiro visitante. Era para nós muito importante. Hoje é o sexto ou sétimo. Temos de retomar esse caminho com uma cadência muito forte. E olhar para o Médio Oriente.

Da colaboração com a autarquia e a associação. Que projetos estratégicos tem em mente?
Preocupam-nos vários temas. Um deles é a questão da comunicação social. É um tema que preocupa muito o atual presidente da Câmara. A falta de comunicação social na região, ou seja, a falta de eco que as coisas que se passam na região, não só na cidade do Porto, mas na região, têm nos jornais nacionais. É algo que temos vindo a discutir, a debater e a ver até que ponto se consegue colmatar. Dou este exemplo muitas vezes e acho que é verdadeiro. Se há 20 ou 30 anos levássemos ao Terreiro do Paço a fotografia de dez ou 15 autarcas do Norte, com facilidade seriam reconhecidos. Se hoje fizermos o mesmo exercício, excluindo o presidente da Câmara do Porto, que por si só já tinha dimensão nacional, teremos muita dificuldade em ter alguém que reconheça um que seja.

E é assim porquê?
Não sei, mas faz-me pensar por que razão, saindo daqui 40% das exportações nacionais, há tão pouco interesse na região. Somos notícia sabe quando? Quando há um incêndio, quando alguém leva com a telha na cabeça ou quando mata a mulher, ou o contrário.

Provincianismo da capital?
É disso que nos acusam. O Porto é muito cosmopolita, é virado para fora. O Porto bebe muito daquilo que há no estrangeiro. As pessoas no Porto sempre viveram voltadas para as exportações, voltadas para mercados internacionais. Portanto, há uma ideia errada, uma perceção errada de que aqui há um provincianismo. É o contrário. E é um desafio que lancei ao presidente da Câmara - até do ponto de vista geracional temos a obrigação de mudar essa mentalidade e de fazer com que os portuenses e as pessoas do Norte não vejamos essa realidade como um triste fado a que estamos destinados.

Como caracteriza hoje o estado do tecido empresarial do Porto e do Norte? Quais são os seus principais pontos fortes e fragilidades?
Em alguns setores, há empresas a sofrer. Na área têxtil, claramente. Mas há outras áreas onde as coisas estão a correr bem. Na metalomecânica, nos componentes para automóveis, nas tecnologias há um conjunto de empreendedores sempre a fervilhar. Lá está a tal visão da região cosmopolita. A região que faz por si. A região que não fica à espera do subsídio e que se reinventa. Isso continua. Esse ADN existe. A Universidade do Porto e a Universidade do Minho, por exemplo, fazem um trabalho extraordinário a esse nível. A UTAD, na enologia, tem feito milagres na região. Basta ver o que é o Douro hoje e o que foi no passado. Basta ver os vinhos premiados a nível internacional. Há uma mudança de paradigma. Agora há questões que nos preocupam. Como é possível que uma região que exporta 40% daquilo que produzimos no nosso país continue a ter os índices mais baixos de rendimento, por exemplo, falando do Douro? O Douro é uma das regiões mais pobres da Europa. Não conseguimos criar riqueza, não conseguimos criar a tal produtividade necessária de modo a ter o rendimento necessário para pagar melhor. Quem está de fora acha que aquilo dá muito dinheiro. Erro. Temos de perceber o que é que está a correr mal na região do Douro. Há muita coisa que está a correr mal e tem de ser analisada. Há regulamentos que têm de ser revistos, leis que têm de ser revistas e o governo tem de olhar para isso. No Tâmega e Sousa também há problemas ao nível do rendimento.

Preocupam-nos vários temas. Um deles é a questão da comunicação social. É um tema que preocupa muito o atual presidente da Câmara. A falta de comunicação social na região, ou seja, a falta de eco que as coisas que se passam na região, não só na cidade do Porto, mas na região, têm nos jornais nacionais.

Quais são as razões para ser assim?
O salário mínimo subiu muito e não estou a criticar a subida, ainda bem que existiu, mas não pode continuar a subir por decreto, a não ser que seja acompanhado ou de aumento de produtividade das empresas. Ou, então, e sou favorável a essa medida, de uma redução da carga fiscal que permita acomodar esse aumento.

E o papel dos empresários?
Há também que pôr a mão na consciência. Nem sempre fazemos as coisas bem. Continuamos a ter uma incapacidade crónica de nos juntarmos, de nos fundirmos, de nos agruparmos, de trabalharmos em grupo, de irmos a mercados internacionais em conjunto e sermos mais fortes dessa maneira, de dialogarmos uns com os outros, quer ao nível das empresas, quer a nível das associações. Esse é um defeito mais do norte do que do sul. Noto que os meus colegas a sul interagem mais, trocam mais experiências. Aqui, há uma certa ideia de quinta, de minifúndio. Prefere-se um minifúndio do que um latifúndio a dividir. Preferem permanecer pequenos e sozinhos do que um bocadinho maiores, agrupados. É uma mentalidade que deve deixar de existir. Ganhava mais a economia. Ganhavam as empresas, criavam-se mais marcas.

Como é possível que uma região que exporta 40% daquilo que produzimos no nosso país continue a ter os índices mais baixos de rendimento, por exemplo, falando do Douro? O Douro é uma das regiões mais pobres da Europa. Não conseguimos criar riqueza, não conseguimos criar a tal produtividade necessária de modo a ter o rendimento necessário para pagar melhor.

Qual tem sido o papel mediador da associação?
Temos tentado dar o exemplo. Sou muito favorável ao trabalho em rede, seja com outras instituições, seja com as empresas. Dialogamos, tentamos, mas depois há algo que não podemos fazer - gerir as empresas e as pessoas. Portanto, o que nos cabe fazer é dar formação. Diria que foi feito já um longo caminho. Estão muito melhor, mas ainda há muito a fazer. A geração de self-made-man, com todas as suas capacidades, está naturalmente, por força da vida, a dar lugar a outros, normalmente mais profissionais, com outro tipo de formação. Também por isso é altura de abrir os horizontes e ver até que ponto é que conseguimos romper essas barreiras.

O Porto tem conseguido reter o talento jovem ou ainda há a tentação de fugir para Lisboa para ganhar mais?
A diferença salarial ainda é uma realidade. Ganha-se menos aqui do que em Lisboa. Não se consegue perceber porquê. Ficamos tão surpreendidos, tão revoltados - e bem -, por uma mulher ganhar menos que um homem no desempenho das mesmas funções e achamos normal os salários serem menores no Porto do que em Lisboa para as mesmas funções. Repare, ninguém discute isso. É algo que não consigo perceber – ter isto como uma coisa normal. E qual é a justificação? Que em Lisboa a vida é mais cara. Assim sendo, cria-se um ciclo vicioso. Quanto aos jovens, já não vão tanto para Lisboa. Vão mesmo para o estrangeiro. Para o norte e centro da Europa. Em si, não há mal. O importante é que regressem. A conversa pode parecer repetitiva, mas volto à necessidade de criarmos maiores empresas e termos empresas que paguem melhor. As empresas que melhor pagam são as maiores, as que têm capacidade de inovar. E por isso é que é importante termos empresas que se agreguem, se fundam, consigam criar mais massa crítica e mudar a mentalidade. Se nós não falarmos nisso ninguém o vai fazer por nós. Estou aqui também para isso, para tentar mudar um pouco a mentalidade. Não estou a dizer que as pessoas fazem tudo mal, estou a dizer é que o caminho poderia ser melhor. Se nós tivermos empresas maiores, porque pagam melhor, a capacidade de reter talento é maior. E já agora, também era importante ter a montante um Estado que percebesse que a carga fiscal tem que ser revista.

Quais são os setores com maior potencial de crescimento na região nos próximos 10 anos?
O potencial de crescimento continua ainda e muito no turismo. Em zonas como o Minho, vejo aí um potencial de crescimento brutal, brutal mesmo. No agroalimentar, carnes, laticínios, temos coisas muito interessantes ainda para fazer. Mas também falo dos vinhos. Os nossos vinhos são vinhos baratos e, portanto, podem ainda crescer desse ponto de vista. Olho sempre para o têxtil e calçado. Que não considero setores tradicionais. São setores de ponta, que apresentam soluções absolutamente inovadoras e que continuam a ter um lugar.

Continuamos a ter uma incapacidade crónica de nos juntarmos, de nos fundirmos, de nos agruparmos, de trabalharmos em grupo, de irmos a mercados internacionais em conjunto e sermos mais fortes dessa maneira, de dialogarmos uns com os outros, quer ao nível das empresas, quer a nível das associações. Esse é um defeito mais do norte do que do sul. Noto

O papel da ACP. Fale-me um pouco da Associação Comercial do Porto.
Somos a mais antiga associação empresarial e ao mesmo tempo também uma associação muito ágil e muito dinâmica. Basta ver o conjunto de iniciativas que fazemos para verificar que não é muito normal encontrar uma organização tão dinâmica, interativa e polivalente como a nossa. Concertos de música clássica, seminários, o baile, são momentos lúdicos e sociais que hoje se designam como networking. Mas, ao mesmo tempo, momentos que se querem de dinâmica, trazendo pessoas e pensamento estratégico à bolsa. As pessoas querem ouvir. Querem perceber o que pensam os protagonistas, querem estar umas com as outras. O nosso papel é esse: pôr as pessoas em contacto, mas ao mesmo tempo produzir pensamento, produzir ideias. Tivemos este ano o estudo que fizemos sobre o impacto das tarifas de Trump na economia portuguesa, feito com a Faculdade de Economia do Porto, um contributo para aproximar universidades, empresas. Ainda com a Faculdade de Economia do Porto estamos a fazer dois estudos com coordenação de Pedro Passos Coelho e de Sérgio Sousa Pinto. Estamos também a fazer outro estudo, neste caso com a Católica do Porto, sobre a reforma do sistema político e da Administração Pública. Ou seja, enquanto sociedade civil, queremos contribuir com o pensamento estratégico livre e independente. Porque somos uma associação absolutamente independente. Absolutamente livre. Temos um orçamento próprio, que não depende 1 € do Estado. Estamos à vontade para pensar, para fazer. E damos carta branca a quem contratamos para elaborar os nossos estudos. Vamos contribuindo com estes inputs, com estas achegas, de uma forma apartidária, mas política, porque são pensamentos políticos, naturalmente. A ideia é de facto haver um fórum, um Senado. Porque é assim que muita gente nos chama, o Senado da cidade do Porto. Um Senado que pense e faça chegar a quem de direito essas preocupações e essas conclusões fundamentadas, trabalhadas.

Como é que uma instituição com quase dois séculos se mantém ágil?
Temos uma capacidade de resposta brutal. Uma capacidade de resiliência grande. Uma capacidade de abrir as portas da nossa sede, o Palácio da Bolsa, a toda e qualquer iniciativa que nos surja e que seja válida. Não estamos fechados ao passado. Estamos abertos ao futuro. Mantendo a tradição, mas com informalidade suficiente para acompanhar os tempos. Há aqui uma ideia clara de modernização.

A vossa saúde financeira?
Não tenho medo das palavras - a nossa saúde financeira é muito boa. Devemos ser a associação empresarial com melhor situação financeira do país.

Regionalização: qual a sua posição?
Claramente ajudava. Se olharmos as tragédias, os incêndios, os licenciamentos industriais, a captação de investimento, tudo seria mais fácil com poder mais próximo. 1 € gasto pela administração local é melhor aplicado do que pela central. Claro que há o medo do abuso, mas isso existe em todo o lado. Temos de dar melhores condições aos autarcas, também remuneratórias. A regionalização permitiria isso. Um nível intermédio, com mais proximidade.

Porque é que ainda não avançou?
Centralismo. Lisboa. E falta de condições políticas. Se houvesse consenso entre PSD e PS, era possível.

Quais as três prioridades do Governo?
Reforma fiscal com previsibilidade. Reforma da burocracia. Segurança. Nomeadamente na questão da droga e da autoridade.

Como imagina o Porto daqui a dez anos?
Se o Porto conseguir manter a ferrovia, o aeroporto forte, boas ligações e dinâmica regional, tem tudo para ser uma grande capital do noroeste peninsular. Uma economia pujante, integrada com os municípios à volta.

Porque somos uma associação absolutamente independente. Absolutamente livre. Temos um orçamento próprio, que não depende 1 € do Estado. Estamos à vontade para pensar, para fazer. E damos carta branca a quem contratamos para elaborar os nossos estudos. Vamos contribuindo com estes inputs, com estas achegas, de uma forma apartidária, mas política, porque são pensamentos políticos, naturalmente.

A ferrovia tem sido apontada como decisiva para o futuro da região. Que prioridade deve ter a linha de alta velocidade Porto - Lisboa?
É crucial e urgente não desfocar a questão da ferrovia e a ligação Lisboa -Porto. Ou Porto - Lisboa, se preferir, porque a distância é a mesma. Às vezes, aos lisboetas parece que não é a mesma. Ouço falar demasiado na ligação Lisboa - Madrid, que, no meu entender, vai ser muito prejudicial para Lisboa.

Porquê?
Porque vai drenar Lisboa. Lisboa vai ficar a uma hora e tal de Madrid. Nesse dia, as empresas que hoje estão sediadas em Lisboa vão para Madrid. O presidente da Câmara de Lisboa ainda não percebeu isso. Ainda não percebeu que vai perder, porque tudo o que traz também leva.

O Porto também terá alta velocidade.
Mas vai demorar umas horas para chegar a Madrid. Não é uma ligação tão direta. A ligação é a Vigo. Para nós vai ser muito útil, porque, desde logo, cerca de 20 a 25% das pessoas que frequentam o nosso aeroporto são galegos. Se tivermos uma ligação à ferrovia, isso vai ser ótimo para o nosso aeroporto. Isso vai ser bom para a nossa região. A força que existe a norte e a existência da economia que temos obrigam a que o Governo olhe prioritariamente e de uma forma muito clara para isto, porque não será aceitável que seja de outra maneira. Precisamos da ligação Lisboa-Porto e Porto-Vigo, claramente.

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