

A petrolífera brasileira Petrobras anunciou esta quinta-feira, 2, que vai rever o plano quinquenal para garantir a autossuficiência do Brasil em gasóleo no prazo de cinco anos, num contexto de volatilidade internacional provocado pela guerra no Irão.
O anúncio foi feito num seminário pela presidente da estatal, Magda Chambriard, que explicou que a maior empresa do Brasil procura eliminar a dependência de importações, que atualmente cobrem cerca de 30% do consumo nacional.
A responsável indicou que o plano em vigor prevê aumentar a produção em cerca de 300 mil barris diários nos próximos cinco anos, o suficiente para satisfazer aproximadamente 80% da procura, mas que agora a empresa quer ambiciona chegar aos 100%.
"Estamos revendo esse plano para avaliar se podemos chegar a cobrir toda a procura em cinco anos", afirmou Chambriard, que destacou a importância estratégica do gasóleo para o transporte de mercadorias e a atividade agrícola no Brasil.
Como consequência da guerra no Irão, o preço do gasóleo subiu cerca de 20% no Brasil nas últimas semanas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo.
Para garantir a autossuficiência, a Petrobras pretende aumentar a capacidade das suas refinarias.
Entre as principais iniciativas destacam-se a expansão da Refinaria Abreu e Lima, que poderá elevar a sua produção até cerca de 300 mil barris diários, e o aumento da capacidade da Refinaria Duque de Caxias através da sua integração com o Complexo de Energias Boaventura.
Além disso, a empresa está a adaptar as suas unidades para dar prioridade à produção de gasóleo face a outros derivados, e não exclui avaliar oportunidades de aquisição de refinarias privadas, caso se revelem estrategicamente viáveis.
A discussão do novo plano terá início em maio e a sua versão final poderá ser anunciada em novembro.
Segundo Chambriard, alcançar a autossuficiência permitirá reduzir a exposição do país às oscilações externas e garantir maior estabilidade no abastecimento energético.