Portuguesa N9VE produz óxidos de terras raras com pureza superior a 99,8%

Objetivo é criar uma economia "mais circular" e deixar a Europa menos dependente de importações de fora do continente para reforçar "autonomia industrial".
Segundo a empresa, as terras raras são matérias-primas críticas para setores como a energia eólica, a mobilidade elétrica, a eletrónica avançada, a robótica e a defesa
Segundo a empresa, as terras raras são matérias-primas críticas para setores como a energia eólica, a mobilidade elétrica, a eletrónica avançada, a robótica e a defesaN9ove
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A N9VE já produz, em Portugal, óxidos de terras raras com grau de pureza superior a 99,8%, anunciou esta segunda-feira, 29 de junho, a empresa portuguesa, referindo tratar-se de um marco para a autonomia industrial europeia.

Num comunicado, a empresa referiu que a produção é realizada no Rare Earths & Magnetics Innovation Center, em Barcelos, onde desenvolve e valida soluções para a recuperação e purificação destes materiais.

Segundo a N9VE, as terras raras são matérias-primas críticas para setores como a energia eólica, a mobilidade elétrica, a eletrónica avançada, a robótica e a defesa, num contexto em que a Europa continua fortemente dependente de importações.

Citado no comunicado, o presidente executivo (CEO) da empresa, José Pinheiro-Torres, afirmou que "para a Europa, o tempo é decisivo", salientando que a abertura de novas minas pode demorar mais de 16 anos, até a entrada em produção, enquanto milhares de turbinas eólicas aproximam-se do fim da vida útil.

"Esta realidade cria uma oportunidade imediata: recuperar terras raras que já se encontram em território europeu e transformá-las numa nova fonte estratégica para a indústria", acrescentou.

A empresa explicou que, nas turbinas eólicas que utilizam magnetes permanentes, estes componentes podem representar várias toneladas por equipamento e contêm cerca de 30% de terras raras.

A N9VE sustentou que a recuperação de terras raras já extraídas permite reduzir a necessidade de recorrer a novas matérias-primas, preservar o valor dos materiais e promover uma economia mais circular.

À Lusa, fonte oficial da empresa explicou que desde a criação, a N9VE mobilizou mais de três milhões de euros em investimento e financiamento para o desenvolvimento da tecnologia, instalação da infraestrutura e execução de projetos de investigação, desenvolvimento e demonstração industrial.

Até ao final do primeiro ano de atividade produtiva, a N9VE prevê consolidar a entrada no mercado como produtor europeu de óxidos de terras raras de elevada pureza recuperados a partir de magnetes permanentes em fim de vida, mantendo níveis de pureza superiores a 99,8% e taxas de recuperação acima de 95%.

A empresa prevê ainda concluir a implementação do demonstrador industrial e avançar para uma operação contínua, reforçando a capacidade de processamento e a validação industrial da tecnologia.

Segundo a N9VE, este será o último passo antes da entrada em funcionamento de uma unidade industrial, prevista para o final de 2027, com capacidade para processar mais de 500 toneladas de magnetes permanentes por ano e um potencial de faturação anual estimado em cerca de 17 milhões de euros.

A empresa enquadra esta evolução nas prioridades do Critical Raw Materials Act da União Europeia (UE), destinado a reforçar a capacidade europeia no domínio das matérias-primas críticas e reduzir a dependência externa.

O desenvolvimento da tecnologia em escala industrial decorre no âmbito do projeto N9VE.REEnew, cofinanciado pelo COMPETE 2030, Portugal 2030 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

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