Os portugueses surgem no pódio dos consumidores que estão mais dispostos a comprar carros elétricos de marcas chinesas. Estas dominam a cadeia de baterias e tornam-se mais competitivas, mas a fiabilidade "ainda é o calcanhar de aquiles".Estas são algumas das conclusões de um estudo da Simon Kucher (SK), consultora internacional que tem um escritório em Lisboa. Este é realizado todos os anos e englobou pela primeira vez o mercado português. Nelson Neves lidera a operação da SK em Portugal e falou ao DN sobre as principais conclusões que é possível tirar sobre o presente e o futuro do mercado automóvel em Portugal, na Europa e à escala global.O mercado nacional está entre aqueles que apresentam os preços mais altos do contexto europeu. Ainda assim, o custo dos carros (não só na compra, mas também na manutenção e, mais à frente, na revenda) continua no topo das prioridades dos consumidores, juntamente com a relação qualidade-preço. Por esse motivo, "as marcas de segmento médio-baixo são as de maior sucesso".Por outro lado, o consumidor europeu atribui, por norma, maior importância a fatores como a qualidade e a marca em detrimento do preço, fruto do poder de compra mais elevado, em média.Marcas europeias sofrem com competidores chinesesNo segmento dos automóveis elétricos, continua a registar-se "alguma desconfiança, mas decrescente", tanto nos plug-in como nos 100% elétricos. Uma tendência que é visível também no que diz respeito às marcas chinesas.O estudo citado envolveu uma análise a 20 países de todo o mundo e Portugal surge na terceira posição “entre os mercados mais dispostos a comprar carros chineses”, só atrás do Brasil e, naturalmente, China. É que, entre os portugueses, “já não é vista negativamente a compra do carro chinês”, sublinha. O mesmo não acontece nos restantes mercados europeus, onde “ainda existe esse estigma”.Vantagem chinesa parte dos... eletrodomésticosDo ponto de vista de Nelson Neves, os carros elétricos mais recentes "são, tecnologicamente, mais parecidos com um eletrodoméstico do que com um carro a combustão", visto que este último tem maior número de peças.Sendo a China o maior produtor de eletrodomésticos em todo o mundo, adquire "uma vantagem competitiva", ao nível da indústria. Ao mesmo tempo, aquele mercado "domina a cadeia de valor das baterias", o que significa que conseguem obtê-las por um preço mais baixo do que as marcas europeias, pelo que se gera uma diferença significativa ao nível da competitividade. É sabido que as fabricantes chinesas têm cada vez mais vantagem sobre as europeias nesta matéria. A grande vencedora desta tendência é, pelo menos em várias métricas, a BYD, que superou em volume de vendas a norte-americana Tesla (penalizada, nos EUA, pela decisão de Donald Trump de pôr fim ao crédito fiscal a carros elétricos).Ainda assim, regressando aos mercados europeus, há desconfianças no que diz respeito a carros chineses. Estas prendem-se sobretudo com o fator fiabilidade, que "ainda é o calcanhar de aquiles dos construtores chineses". Por este motivo, a BYD oferece "níveis extra de manutenção e garantia, superiores aos dos competidores na Europa", de forma a contrariar receios de que, por exemplo, a marca desapareça da Europa.Metas de redução das emissões preocupam o setorUm dos fatores de preocupação para a indústria automóvel europeia passa pelo aumento de custos e volumes de vendas vendas que não correspondem, ao mesmo tempo que fazem crescer o investimento no segmento dos elétricos. Neste âmbito, reforça, a China leva vantagem, pelo que surge na Europa um sentimento de insistência nos automóveis "tradicionais".Os construtores europeus (em particular os alemães) querem ver alargados os prazos para a redução de emissões de gases com efeito de estufa, definidos pela União Europeia. O objetivo passa por continuarem a produzir carros a combustão, já que "se abandonarmos aquilo em que somos bons, que é produzir carros a combustão, perdemos vantagem competitiva", alerta.O estudo envolveu um inquérito em formato digital, ao qual responderam 6.780 pessoas em todo o mundo (210 em Portugal), no segundo trimestre de 2025. .Tesla perde trono dos elétricos para a chinesa BYD.BYD é líder na venda de elétricos em Portugal e Tesla cai com estrondo em outubro