Privatização da TAP e venda da Logoplaste poderão ser os negócios do ano

Privatização da TAP e venda da Logoplaste poderão ser os negócios do ano

Estado espera concluir a operação de venda da companhia aérea nacional entre junho e julho, se correr tudo como esperado. Eventual venda da totalidade da Logoplaste - cenário em estudo pelo seu maior acionista - poderá ascender a 2 mil milhões.
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A previsível concretização da venda da TAP entre junho e julho de 2026 poderá ser o negócio mais mediático dos últimos anos em Portugal, ainda que fique, com toda a certeza, longe de ser o maior. A companhia aérea, que foi privatizada em 2015 pelo Governo de Pedro Passos Coelho (uma decisão revertida pelo Governo seguinte, de António Costa), vai ficar a pertencer a um dos três grupos de aviação que entregaram a Manifestação de Interesse na TAP: Lufthansa, Air France/KLM e IAG (British Airways e Iberia). Um deles, se tudo correr bem, fecha o ano com, pelo menos, 44,9% do capital da TAP. Reforços dessa posição poderão acontecer em fases subsequentes da privatização.

A grande questão é: Por quanto se fará o negócio? As avaliações da companhia que várias consultoras fizeram para o Governo estão mantidas no “segredo dos Deuses”, mas uma análise recente do analista financeiro Nuno Esteves, para o jornal Expresso, coloca o valor de mercado da TAP dentro de um intervalo que vai dos 1,45 mil milhões aos 1,63 mil milhões de euros. Ou seja, os 44,9% à venda, mais os 5% reservados para os trabalhadores, poderão significar um encaixe de cerca de 800 milhões para o Estado.

A análise de Nuno Esteves leva em consideração o EBITDA da TAP dos últimos 12 meses e as contas da companhia até setembro (um lucro acumulado de 55 milhões de euros), bem como múltiplos das transações no mercado comparáveis com esta, ajustados a outros critérios.

O que não está claro, no entanto, é se leva em conta as contingências jurídicas que a TAP tem em curso e que o Governo já disse que teriam de ficar para resolução por parte do próximo comprador, nomeadamente o processo movido pela antiga acionista Azul e um processo de indemnizações a centenas de tripulantes de cabina, que já teve as primeiras decisões em tribunal. Só estes dois processos - que poderão vir a ser inscritos como provisões nas contas anuais - ascendem a um máximo de cerca de 480 milhões de euros.

A partir desta sexta-feira, 2 de janeiro, arranca uma fase de 90 dias para a apresentação de propostas não-vinculativas por parte dos três interessados. Segue-se um período de negociação final para a apresentação de propostas melhoradas, que poderá durar mais dois a três meses. Findo este prazo, a Parpública depois terá 30 dias para analisar e fazer um relatório sobre as propostas.

Um outro grande negócio que poderá acontecer em 2026 será o da venda da portuguesa Logoplaste, atualmente detida pelo Ontario Teachers’ Pension Plan (OTTP), em 60%, e pelas famílias de Filipe de Botton e de Alexandre Relvas (40%). A administração do Fundo, um dos maiores investidores privados do mundo, contratou os bancos UBS e Barclays para o assessorar numa potencial venda de toda a empresa, indicou a Bloomberg. O negócio seria, assim, avaliado entre os 1,7 mil milhões de euros e os 2 mil milhões de euros. Entre os interessados, até ao momento, contam-se a norte-americana Apollo Global Management, o fundo holandês CVC DIF e a Kohlberg Kravis Roberts & Co (KKR), gestora de private equity e fundos de investimento.

Também no próximo ano, o Governo vai avançar com três novas concessões portuárias, que poderão revelar-se negócios de muitos milhões. A primeira será a de um novo terminal no Porto de Setúbal; a segunda é a do terminal da Mitrena, atualmente concessionado à Lisnave. A terceira nascerá da privatização da Silotagus (antiga Silopor). O plano do Governo para as estruturas portuárias envolve 15 novas concessões, incluindo estas três, e representa um investimento privado de 3 mil milhões de euros.

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