

A procura de crédito por parte de particulares manteve-se estável no terceiro trimestre, diminuindo ligeiramente no segmento da habitação, devido ao nível das taxas de juro, mas sem impacto no agregado, segundo um inquérito do BdP.
No que respeita às empresas, a última edição do “Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito” do Banco de Portugal (BdP), relativa ao terceiro trimestre de 2026, aponta para uma diminuição da procura de empréstimos por parte das grandes empresas face ao trimestre anterior, impactada pelas "necessidades de financiamento do investimento".
Para o último trimestre deste ano, as perspetivas dos bancos apontam para uma “ligeira redução da procura de empréstimos por particulares, em ambos os segmentos”.
No segmento das empresas, o inquérito evidencia uma “avaliação heterogénea por parte dos bancos”, resultando, em média, numa ligeira diminuição da procura por pequenas e médias empresas (PME) e por empréstimos de longo prazo.
Analisando a oferta de crédito no terceiro trimestre, os critérios de concessão de crédito mantiveram-se sem alterações nas empresas, enquanto nos particulares foram “ligeiramente mais restritivos nos empréstimos à habitação e, em menor grau, no crédito ao consumo e outros fins”.
“Nas empresas, a concorrência de outras instituições bancárias contribuiu ligeiramente para critérios menos restritivos. Em sentido contrário, a perceção de riscos associados à situação e perspetivas de empresas ou setores de atividade específicos contribuiu ligeiramente para critérios mais restritivos, em particular nas PME”, explica o BdP.
No segmento da habitação e, em menor grau, no crédito ao consumo e outros fins, as alterações à Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal “contribuíram ligeiramente para tornar os critérios mais restritivos”.
No segmento da habitação, a situação e perspetivas do mercado da habitação, incluindo a expectativa de evolução de preços, a qualidade creditícia do mutuário e a tolerância de riscos contribuíram também no mesmo sentido.
Sobre os termos e condições de crédito, registou-se, nas empresas, uma “ligeira redução da restritividade por via da taxa de juro, do ‘spread’ nos empréstimos de risco médio e das comissões e outros encargos não relacionados com taxas de juro”.
Já no crédito à habitação, foi reportada uma ligeira diminuição da restritividade por via da maturidade, enquanto o crédito ao consumo se manteve sem alterações.
Segundo o BdP, no segmento das empresas, “as pressões exercidas pela concorrência de outras instituições bancárias contribuíram ligeiramente para diminuir os ‘spreads’ nos empréstimos de risco médio”.
A situação e perspetivas económicas gerais, também de empresas ou setores de atividade específicos, e a tolerância de riscos “contribuíram ligeiramente para aumentar os ‘spreads’ nos empréstimos de maior risco, embora sem impacto no agregado”.
De julho a setembro, a proporção de pedidos de empréstimo rejeitados manteve-se inalterada.
Para o quarto trimestre, as expectativas dos bancos apontam para critérios de concessão ligeiramente mais restritivos nos empréstimos a PME e de longo prazo, enquanto no segmento de particulares estes critérios deverão manter-se.
O questionário do BdP inquiriu ainda os bancos sobre o financiamento a retalho e por grosso, não tendo sido reportadas alterações no acesso às principais fontes de financiamento a retalho e por grosso no terceiro trimestre.
Para o trimestre em curso, os bancos preveem uma deterioração no acesso a financiamento através de títulos de dívida de médio a longo prazo, da titularização de empréstimos a empresas e para aquisição de habitação, assim como da capacidade de transferência de risco para fora do balanço.
Questionados também sobre o impacto de alterações da carteira de ativos de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) no seu balanço e situação financeira, os bancos reportaram uma deterioração da posição de liquidez global nos últimos 12 meses, com impacto no custo de financiamento e restrições de balanço, e uma ligeira melhoria da rendibilidade global, por via da margem financeira.
Para os próximos 12 meses, antecipam uma ligeira diminuição do total de ativos, por via da detenção de obrigações soberanas da área do euro, uma deterioração do custo de financiamento e restrições de balanço por via das condições globais de financiamento no mercado e, em menor grau, da posição de liquidez global.