

A produção europeia de vidro de embalagem caiu cerca de 10% entre 2022 e 2024, regressando a níveis próximos dos registados durante a crise financeira de 2008–2009, informou esta quinta-feira, 19, a Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem (AIVE).
Em comunicado, a associação alertou que os elevados custos da energia e o aumento dos encargos associados ao carbono estão a pressionar a competitividade da indústria e a provocar o encerramento de fornos e unidades produtivas em vários países europeus, o que contribuiu para a redução da produção.
Para a AIVE, o atual contexto económico está a enfraquecer as condições de investimento e a colocar em risco a capacidade industrial estratégica na Europa.
“A indústria do vidro de embalagem é um pilar essencial da economia e das cadeias exportadoras portuguesas e europeias, do vinho à alimentação e à cosmética”, afirmou no comunicado o presidente da AIVE, Tiago Moreira da Silva.
O responsável acrescentou ainda que, “num contexto de custos energéticos elevados e crescente pressão regulatória, é fundamental assegurar condições de competitividade que permitam às empresas continuar a investir, inovar e criar emprego, enquanto contribuem para a balança comercial portuguesa”.
A indústria de vidro de embalagem representa mais de 140 mil milhões em exportações da União Europeia (UE) por ano e cerca de 6% do total das exportações na Europa.
Portugal, enquanto exportador relevante de vinho, azeite, conservas e outros produtos alimentares de valor acrescentado, integra estas cadeias de valor europeias, pelo que a redução da capacidade produtiva no setor do vidro poderá, segundo a Federação Europeia do Vidro de Embalagem (FEVE), aumentar a pressão sobre custos e comprometer a competitividade internacional destas indústrias.
Além disso, com a atualização prevista dos referenciais de emissões em 2026, algumas empresas poderão enfrentar um aumento substancial dos custos relacionados com o CO2 já no próximo ano, levando o setor a defender que choques súbitos desta natureza podem comprometer investimentos em modernização e descarbonização.
Desta forma, a FEVE apela a medidas urgentes, nomeadamente a redução dos custos energéticos e de carbono e ajustes nas políticas económicas que assegurem estabilidade e competitividade.
O reforço dos mecanismos de defesa comercial para garantir condições de concorrência justa e leal e incentivos de mercado que estimulem a procura por produtos seguros e fabricados na Europa são também medidas apontadas pela federação.
O setor europeu do vidro de embalagem emprega cerca de 50 mil trabalhadores e sustenta mais de 850 mil empregos na sua cadeia de valor.
A produção de embalagens de vidro e as indústrias que utilizam este material geram um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros, equivalente a cerca de 1% da produção industrial da UE.