

O setor farmacêutico está a olhos vistos a preparar‑se para uma desaceleração da produção em 2026, apesar de manter níveis sólidos de capital, solvência e liquidez.
Um estudo da Crédito y Caución antevê uma queda de oito pontos percentuais, com a produção a ficar em apenas 1,6% — um recuo após o crescimento de 9,1% registado em 2025, impulsionado pela antecipação de compras para contornar novas tarifas.
A incerteza comercial é um dos vetores de risco. Ainda que os Estados Unidos tenham concedido isenções a muitos grandes produtores e existam acordos tarifários com alguns países, persiste a ameaça de uma nova escalada: o anúncio presidencial de taxas de 100% sobre medicamentos de marca não fabricados nos EUA mantém as empresas em alerta e poderá forçar realocações produtivas.
Também pesa sobre o futuro do sector a expiração de patentes. Os medicamentos líderes em oncologia, imunologia e metabolismo perderão exclusividade nos próximos anos — prevê‑se que as 15 patentes mais valiosas expirem na próxima década — o que tende a reduzir receitas e aumentar a concorrência de genéricos.
Além disso, os cortes nos orçamentos de saúde em alguns países podem reduzir o investimento em I&D, essencial para o desenvolvimento de novos fármacos. Na Europa, a expectativa é de forte desaceleração: após um crescimento atípico em 2025 devido a compras antecipadas, a produção deverá moderar para 3,7% em 2026.
A procura de longo prazo mantém‑se favorável, apoiada pelo envelhecimento populacional. Ainda assim, as pressões sobre preços, a deslocação de investimentos para EUA e China e a necessidade de ajustamentos estratégicos — como a relocalização fabril ou a compressão de margens — colocam desafios económicos relevantes às empresas do sector.