Produtores têxteis portugueses lideram transição para a moda sustentável

Estudo revela que os produtores estão a evoluir de meros fabricantes para parceiros estratégicos das marcas, assumindo uma parte significativa do risco associado à inovação.
Produtores têxteis portugueses lideram transição para a moda sustentável
Artur Machado / Global Imagens
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A indústria têxtil e do vestuário em Portugal está a consolidar-se como um centro de inovação em sustentabilidade, segundo um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O relatório, intitulado “Sustentabilidade na Moda: Inovação e Competitividade em Portugal”, revela que os produtores estão a evoluir de meros fabricantes para parceiros estratégicos das marcas, assumindo uma parte significativa do risco associado à inovação.

O estudo destaca que, num contexto em que a pressão para tornar a moda mais sustentável é crescente, o setor afirma-se como um polo de inovação, contribuindo para a competitividade de uma área crucial para a economia nacional.

“Ao contrário da perceção de que são as marcas que lideram a inovação na moda, o estudo mostra que são, frequentemente, os produtores que impulsionam o desenvolvimento de novas soluções sustentáveis”, afirmam os autores.

Os fornecedores portugueses estão a transformar-se em parceiros valiosos, oferecendo não apenas produtos, mas também serviços como rastreabilidade, reciclagem e desenvolvimento conjunto de materiais.

“Os produtores contribuem com conhecimento técnico, capacidade industrial e investimento em tecnologia”, enfatiza o estudo, enquanto as marcas fornecem conhecimento do mercado e acesso aos consumidores.

O relatório analisa sete casos de inovação em Portugal, sublinhando que a colaboração entre produtores e marcas é essencial para desenvolver materiais e processos mais sustentáveis.

Inovações como algodão regenerativo, poliéster reciclado, fibras de ácido polilático (PLA), e processos de tingimento com microrganismos são algumas das iniciativas destacadas.

A pesquisa indica que a proximidade geográfica e relações de longo prazo são cruciais para acelerar a inovação, permitindo uma redução significativa no consumo de água, energia e produtos químicos, além das emissões de carbono.

A concentração da indústria no norte do país é apontada como uma vantagem competitiva num cenário global complexo.

Apesar dos avanços, persistem desafios, como os custos da inovação, dificuldades de financiamento para pequenas e médias empresas, e a adaptação a novas legislações europeias.

O estudo recomenda um reforço dos mecanismos de apoio ao investimento em inovação, maior colaboração entre empresas e universidades, e uma estratégia “mais ambiciosa” de promoção internacional.

As autoras do estudo sublinham que a etiqueta ‘Made in Portugal’ é cada vez mais sinónimo de qualidade e sustentabilidade em mercados internacionais.

O desafio futuro é consolidar essa reputação por meio de investimentos contínuos em inovação e talento, promovendo a marca ‘sustainably made in Portugal’.

Este panorama evidencia a evolução da indústria têxtil e do vestuário em Portugal, que se posiciona como um agente ativo na busca por um futuro mais sustentável e competitivo, conclui o estudo.

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