

Numa época em que os consumidores, em especial os mais jovens, se mostram significativamente preocupados com o tema da sustentabilidade, a Sanjo, marca portuguesa de sapatilhas, permite já saber qual a pegada carbónica de cada um dos seus produtos. A informação está disponível na loja online da marca, e é transversal quer ao calçado, quer ao vestuário, permitindo saber quantos quilos de CO2 foram emitidos no ciclo de vida total do produto e a sua distribuição pelas várias etapas, desde as matérias-primas à fase de uso e fim de vida. Faz também uma comparação face à média global da categoria.
“O facto de os nossos artigos serem todos fabricados em Portugal é uma vantagem, mas também é um handicap, porque são muito mais caros do que a concorrência, que consegue margens de comercialização que nós não conseguimos”, explica José Egipto Magalhães, empresário de Braga que comprou a marca Sanjo e a relançou em 2019.
A aposta no made in Portugal foi assumida, desde início, como vital para o reposicionamento da marca, nascida em São João da Madeira, em 1933, já que, após a falência em finais dos anos 90, a primeira tentativa para relançamento da Sanjo fracassou, no início do milénio, precisamente porque a produção na China começou a criar problemas de qualidade.
“Claro que fica muito mais barato produzir na Ásia, mas, enquanto eu estiver neste projeto, a Sanjo será produzida em Portugal. Fica mais caro, mas tem uma qualidade que os outros não têm. Mas também tem a vantagem ambiental, permitindo que os nossos artigos cheguem a ter 80% menos de emissões de carbono que a concorrência”, frisa.
Este é um projeto em parceria com a ZeroPact, que assegura o cálculo das emissões de carbono de cada produto à venda online e permite ao consumidor compensar as emissões de CO2 do seu pedido. Por exemplo, numas sapatilhas de 89,50 euros, feitas em Felgueiras, como são todas as da Sanjo, e que são responsáveis por 10,7kg de emissões de CO2 em todo o ciclo de vida do produto (76% abaixo da média), o cliente pode pagar 1,07 euros a mais, na compra, para compensar essas emissões. Esse montante “será investido em projetos ambientais certificados, validados por várias entidades competentes”, explica a ZeroPact. Ou seja, na plantação de novas árvores na Herdade da Contenda, em Beja, sendo que, cada árvore adulta absorve 22kg de CO2 por ano.
“Precisamos que o público entenda as virtudes de este ser um produto fabricado em Portugal, o que significa que estamos a contribuir para a indústria e o comércio local, a criar emprego e a favorecer a economia portuguesa”, refere o empresário. José Egipto lembra que os jovens apontam o dedo às gerações mais velhas, culpando-as pelo estado do planeta que vão receber, mas “esquecem-se de que eles próprios podem fazer a diferença, enquanto consumidores, ao fazerem escolhas conscienciosas, em vez de olharem apenas para o fator preço”.
E aos 92 anos, a Sanjo procura conquistar crescentemente os mais jovens, sem perder de vista os apreciadores históricos da marca.
O lançamento de novas coleções, com produtos diferenciados, muito ligados a segmentos como o skate ou o basquetebol, um desporto em que a Sanjo calçava praticamente todos os praticantes da modalidade nos anos 60 e 70 do século passado, tem sido uma constante. Sem esquecer a produção dos icónicos k100 - a sapatilha-bota que continua a ser a campeã de vendas da Sanjo - e os k200.
A marca está presente já em 140 pontos de venda no mercado nacional e começou a trilhar o caminho da internacionalização com a contratação de agentes para cobrir mercados como Espanha, França, Itália, Alemanha, Benelux e Turquia.
Em 2023, a assinalar os 90 anos, abriu a sua primeira loja própria no Bairro Alto, que lhe dá notoriedade junto dos turistas. Uma experiência que pretende replicar com mais lojas em zonas turísticas de Lisboa e Porto, logo que encontrar os espaços adequados.