Redes sociais põem retalho português a competir com retalhistas de todo o mundo

As redes sociais mostram as experiências mais dinâmicas de retalhistas por todo o globo e aumentam as "expetativas sobre produtos e serviços. O resultado é maior pressão sobre as empresas, diz a APED.
As grandes cadeias de supermercados são as maiores retalhistas do mercado português, mas há milhares de operadores do setor, norte a sul do país.
As grandes cadeias de supermercados são as maiores retalhistas do mercado português, mas há milhares de operadores do setor, norte a sul do país.António Pedro Santos/Lusa
Publicado a: 

O retalho nacional (desde os supermercados às pequenas lojas de eletrodomésticos) compete hoje com os operadores de todo o mundo. As redes sociais e plataformas digitais levam experiências de qualquer canto do mundo até ao nosso smartphone, fazendo subir as expetativas sobre produtos e serviços.

De acordo com um estudo da Associação portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), "a crescente internacionalização do retalho está a redefinir o contexto competitivo em Portugal" e promete continuar a fazê-lo. Esta é uma das conclusões presentes num relatório divulgado esta quarta-feira.

O e-commerce faz-se além fronteiras e a social media, nomeadamente através de criadores de conteúdo, obriga a cadeia de valor a reinventar-se. Isto resulta em maior competitividade, pelo que a APED nota "crescente pressão para responder a padrões mais elevados de conveniência, personalização, qualidade de serviço e rapidez de execução", salienta-se.

É que as redes sociais trazem até qualquer smartphone todo o tipo de experiências sofisticadas, pelo que "as expectativas dos consumidores deixam de ser definidas apenas pelos operadores presentes no mercado nacional e passam a ser influenciadas por tendências globais", algo que é notório e transversal no setor do retalho.

No que diz respeito a critérios de sustentabilidade (ESG,na sigla em inglês), a APED assinala que "fatores como a volatilidade dos custos energéticos e a utilização mais eficiente dos recursos", com especial peso nos últimos sete meses, "reforçam a necessidade de incorporar critérios de sustentabilidade nas decisões de negócio", pode ler-se

O mesmo documento salienta que o envelhecimento da população resulta numa redução da população ativa e, por isso, um corte na oferta de mão de obra. Assim sendo, observa-se "maior concorrência por talento", num período em que a retenção do mesmo se torna cada vez mais difícil na economia portuguesa, independentemente do setor de atividade.

Em 2025, a APED tinha 226 associados, que empregavam 155.300 pessoas. Destes trabalhadores, 69% exercem funções no retalho alimentar (71% em 2025). Ao mesmo tempo, 63% são mulheres (estável face ao ano passado) e 85% tinham contratos sem termo (84% em 2025).

Ainda no que diz respeito à força de trabalho, houve um crescimento de 1,9% face ao ano anterior (152.400 em 2024), apesar de o peso no total da população empregada ter recuado de 3,7% para 2,9%, revelam os dados. As empresas em questão tinham 4.924 lojas em 2025 e o peso dos respetivos negócios no PIB português era de 12%. A produtividade aumentou de 22,6 mil euros para 29,6 mil euros por trabalhador (mais 30,9%).

O estudo foi realizado pela Forvis Mazars para a APED.

As grandes cadeias de supermercados são as maiores retalhistas do mercado português, mas há milhares de operadores do setor, norte a sul do país.
Vendas a retalho sobem em agosto na zona euro e na UE
As grandes cadeias de supermercados são as maiores retalhistas do mercado português, mas há milhares de operadores do setor, norte a sul do país.
Investimento no retalho atinge 840 milhões em 2025, o segundo melhor ano pós‑pandemia
Diário de Notícias
www.dn.pt