

A startup portuguesa SpotGov tem como objetivo tornar-se a referência europeia da contratação pública, avança em entrevista à Lusa o presidente executivo (CEO), que quer começar a expansão por Espanha e Reino Unido.
"A SpotGov posiciona-se como um sistema operativo para o futuro da contratação pública em Portugal e na Europa", afirma João Alves, que lidera a tecnológica portuguesa que arrancou há pouco mais de um ano.
Trata-se de uma plataforma portuguesa de inteligência artificial (IA) especializada em contratação pública e concursos públicos que usa algoritmos próprios para analisar todas as fases processo, segundo a tecnológica.
A médio prazo, "o nosso objetivo claro é tornarmos num 'player' europeu, na referência europeia de contratação pública", assume.
Se ganharem esse mercado, a startup torna-se numa "bilion dollar company" [numa empresa de mil milhões de dólares], o que é o mesmo que dizer que se torna um unicórnio.
O objetivo a longo prazo é ser "um unicórnio [empresa avaliada em mil milhões de dólares] o mais rápido possível".
Agora, "a forma de fazer isto" é ser "um 'player' de referência na nossa área numa perspetiva global, mas em primeiro lugar numa perspetiva europeia", sublinha o CEO da SpotGov, que tem sede em Lisboa.
Com 12 pessoas, "estamos a contratar já em mercados fora", diz.
O negócio tem corrido "muito bem" e está a "crescer muito": "Adquirimos mais de 100 clientes em Portugal, uma boa parte deles 'enterprise clients' [clientes empresariais], portanto empresas bastante grandes em Portugal, que representam mais de 1,5 mil milhões em contratação pública em Portugal", prossegue.
Ou seja, "em cerca de um ano representamos 8% a 10% do mercado português", sublinha, adiantando que a faturação do primeiro ano ronda à volta dos 600 mil euros.
"A minha ideia é durante os próximos três anos conseguir multiplicar por cinco todos os anos ou mais a faturação", prevê.
Em síntese, o objetivo agora "é crescer exponencialmente, expandir internacionalmente fora de Portugal", salienta João Alves.
Aliás, "começámos em Portugal, com clientes portugueses, mas que estão também em outros países", pelo que "com eles estamos a começar a expandir para outros países e depois, naturalmente, vamos fazer uma estratégia de 'go-to-market'".
"Idealmente, vamos começar a expandir para a Espanha e para UK [Reino Unido]", partilha.
A aposta em Espanha passa pela proximidade de clientes e no Reino Unido porque "é um dos maiores mercados na Europa", sendo que a visão é "sedimentar-nos como a referência de contratação pública", depois por toda a Europa e "mais tarde no mundo".
Quanto aos EUA, "não está fora de questão", mas o primeiro passo é a Europa, onde os processos de contratação têm uma natureza burocrática e há "muita necessidade de uma solução como esta", diz.
"A maior parte das leis de contratação pública são diretivas europeias, que depois têm algumas leis específicas por país, mas o processo em si é o mesmo ao longo da Europa toda e, portanto, podemos olhar para a Europa como um mercado coeso e unido que podemos muito rapidamente atacar como um bolo", explica.
Depois da Europa o Brasil está na mira, como também o Médio Oriente, que investe nesta área.
Todo o processo da contratação pública é "extremamente manual, complexo e burocrático, o mesmo que há 20, 30 anos" e a SpotGov vai "redefinir isto com uma plataforma de inteligência artificial que vem automatizar" tudo de ponta a ponta, explica.
Sendo uma "AI native" [nativa IA], a SpotGov acompanha "desde o momento em que as empresas encontram as oportunidades, ou seja, encontram os concursos, até o momento em que depois as propostas são submetidas e em que analisamos os dados de propostas passadas para ajudar a tomar decisões futuras", acrescenta, referindo que nesta lógica de sistema operativo "não há incumbência nenhuma no mercado".
Quanto à reforma da contratação pública, "acho que o que o Governo está a fazer é trazer eficiência para o processo", remata João Alves.
A SpotGov foi uma das startups que marcaram presença na SIM Conference, no Porto, entre 14 e 15 de maio, organizada pela Startup Portugal, servindo para falar com potenciais investidores, parceiros e clientes, acrescenta.
A startup é 'bootstrapped', ou seja, não depende de investidores, e é "profitable [rentável] desde o mês dois".