Stellantis com prejuízo de 22,3 mil milhões de euros em 2025

O aumento dos custos ligados a uma redução na produção de carros elétricos penalizou seriamente o grupo dono de marcas como Peugeot, Citroën e Fiat. Os números acentuam o mau momento do setor.
A Stellantis viu a redução nas vendas de elétricos castigar toda a operação
A Stellantis viu a redução nas vendas de elétricos castigar toda a operação
Publicado a

A construtora automóvel Stellantis anunciou esta quinta-feira, 26, um prejuízo de 22,3 mil milhões de euros em 2025, o segundo maior já registado por um grupo francês, devido a uma despesa extraordinária de 25,4 mil milhões.

O grupo anunciou a 06 de fevereiro que iria incorrer em despesas extraordinárias de 22 mil milhões de euros só no segundo semestre de 2025, para financiar uma desaceleração na produção de veículos elétricos, cujas vendas estão muito abaixo das suas expectativas.

Tal como a Stellantis, a Ford e a General Motors também incorreram em encargos dado as vendas de carros elétricos mais baixas do que o previsto nos Estados Unidos.

O volume de negócios da Stellantis diminuiu 2%, para 153,5 mil milhões, apesar de um ligeiro aumento em volume, para 5,48 milhões de veículos (+1%), contra 5,41 milhões em 2024.

As receitas foram afetadas por taxas de câmbio desfavoráveis, mas também por uma política de redução de preços no primeiro semestre, uma reviravolta em relação à estratégia de preços elevados do antigo presidente executivo, Carlos Tavares.

O grupo registou um prejuízo operacional corrente de 842 milhões de euros no ano passado, com uma margem negativa de 0,5%. Não distribuirá dividendos.

No segundo semestre de 2025, a Stellantis viu, por outro lado, o seu volume de negócios aumentar 10% e atingir 2,8 milhões de veículos, ou seja, um aumento de 11% em volume, graças, nomeadamente, a uma recuperação de 39% em volume nos Estados Unidos.

O grupo, que dispunha de liquidez industrial de 46 mil milhões de euros no final de 2025, confirmou as suas perspetivas para 2026 de uma melhoria progressiva do seu volume de negócios líquido e de um regresso a uma margem positiva “baixa de um dígito”.

As vendas deverão ser impulsionadas pelo aumento da popularidade de novos modelos, nomeadamente ‘pick-ups’ a combustão nos Estados Unidos, com um nível de preços estável, em alta nos Estados Unidos, mas em queda na Europa.

O impacto para o grupo dos direitos aduaneiros implementados nos Estados Unidos é estimado em 1,2 mil milhões para 2025 e previsto em 1,6 mil milhões em 2026, estimativa que a Stellantis confirmou hoje, apesar da decisão do Supremo Tribunal de invalidar as decisões do presidente americano Donald Trump.

A Stellantis decidiu voltar a publicar trimestralmente os seus resultados financeiros, uma oportunidade para tranquilizar os mercados financeiros.

A perda contabilística da Stellantis é a segunda maior alguma vez anunciada por um grupo francês, atrás do recorde da Vivendi (-23,3 mil milhões de euros em 2002), mas à frente da France Télécom (-20,7 mil milhões em 2002) e da EDF (-17,9 mil milhões em 2022). É também quase o triplo do recorde anterior para um grupo automóvel francês, o da Renault em 2020 (-8 mil milhões).

Nos últimos dias, a Stellantis confirmou a sua reviravolta no setor elétrico ao anunciar a sua saída de vários projetos, incluindo a venda da sua participação de 49% na NextStar Energy, que desenvolve a primeira gigafábrica de baterias do Canadá, e uma saída prevista da sua ‘joint venture’ com a Samsung, que deveria construir duas gigafábricas nos Estados Unidos.

O grupo também anunciou o relançamento de modelos a combustão nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a diesel. Escolhas que, segundo o grupo, não entram em conflito com a inovação e não afetam o seu compromisso com a eletrificação.

A Stellantis viu a redução nas vendas de elétricos castigar toda a operação
Stellantis num buraco de 22 mil milhões: o legado de erros de Carlos Tavares

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt