Sustentabilidade é prioridade em 92% das empresas portuguesas, mas impacto fica aquém

Estudo da Kyndryl revela que apenas 18% das empresas integraram a sustentabilidade como um motor central de inovação e resiliência a longo prazo
Sustentabilidade é prioridade em 92% das empresas portuguesas, mas impacto fica aquém
Bruno Simões Castanheira / Global Imagens
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O Global Sustainability Barometer, divulgado pela Kyndryl em parceria com a Microsoft e a Ecosystm, revela que 92% das organizações em Portugal consideram a sustentabilidade ambiental uma prioridade estratégica, mas que persiste um desfasamento entre ambição e impacto concreto.

Apesar de 67% das empresas terem mantido ou reforçado objetivos no último ano, apenas 18% integraram a sustentabilidade como um motor central de inovação e resiliência a longo prazo.

A tecnologia e, em particular, a inteligência artificial (IA) surgem como factores decisivos para transformar intenções em resultados.

O estudo indica que 75% das equipas de TI estão a impulsionar iniciativas de sustentabilidade de forma transversal e que 57% das empresas já recorrem a IA preditiva para antecipar riscos climáticos e avaliar exposição na cadeia de fornecedores. Além disso, 30% das organizações em Portugal testam ou implementam casos de Agentic AI orientados para resultados de sustentabilidade.

Do ponto de vista económico, a sustentabilidade começa a gerar valor financeiro direto, uma vez que 83% das empresas reportam ganhos através da redução de custos operacionais e 55% utilizam estratégias ambientais para atrair e reter clientes.

No entanto, a governação e os dados permanecem constrangimentos, já que, embora 83% refiram forte articulação entre TI e sustentabilidade, só 40% dos líderes de sustentabilidade têm um papel formal na governação de TI, e os principais obstáculos apontados foram a recolha de dados de múltiplos sistemas (48%) e a integração com plataformas de análise de negócio (47%).

O relatório classifica a maioria das organizações portuguesas (72%) como “Centradas no Legado”, onde a sustentabilidade é tratada sobretudo como obrigação de conformidade, enquanto apenas 10% operam num modelo “Focado na Integração”, com sustentabilidade plenamente incorporada na estratégia e nos processos decisórios.

O barómetro baseia‑se nas respostas de líderes de 60 organizações em Portugal e aponta para uma oportunidade de avanço, apoiada pela combinação de tecnologia, dados e IA.

“Estamos a ver cada vez mais líderes a conectar políticas, pessoas e propósito, adotando perceções tecnológicas e Agentic AI, para gerar impacto e não apenas reportar sobre sustentabilidade”, afirmou Faith Taylor, Senior Vice President, Global Citizenship and Sustainability, da Kyndryl.

“Esta mudança — de conformidade para ação — significa que, quando a sustentabilidade está incorporada no negócio, as organizações de diferentes setores e geografias podem tomar decisões mais inteligentes e orientadas por dados, que fortalecem a resiliência e impulsionam a inovação”, conclui.

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Ambiente e sustentabilidade na linha da frente das apostas das empresas

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