

As tarifas introduzidas em 2025 pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, aumentaram os custos para as empresas, particularmente para aquelas de média dimensão norte-americanas, segundo um relatório publicado esta quinta-feira, 19, pelo JPMorgan Chase Institute.
O estudo aponta que a estabilidade económica das empresas de média dimensão “foi interrompida por um forte aumento [das taxas alfandegárias] a partir de abril de 2025”, coincidindo com a implementação dos primeiros aumentos tarifários, sendo que os pagamentos totais continuaram a aumentar ao longo de 2025 “e finalmente atingiram um nível aproximadamente três vezes superior ao registado até ao início de 2025”.
Nesse sentido, embora muitas novas empresas de média dimensão tenham começado a pagar tarifas em 2025, o forte aumento nos pagamentos deveu-se principalmente às médias empresas que já as pagavam antes de outubro de 2024, o que pode indicar que o aumento das tarifas elevou principalmente a carga de custos para os importadores existentes, em vez de distribuí-la entre um grupo mais amplo de empresas que pagam tarifas.
Além disso, o documento aponta que as mudanças na política tarifária durante 2025 não apenas aumentaram substancialmente as tarifas em alguns países que já estavam sujeitos a elas, como a China, mas também introduziram novas tarifas universais numa série de países que estavam isentos.
“As empresas de média dimensão, também conhecidas como mercado médio, podem estar entre as mais afetadas por essas mudanças na política comercial”, alertam os autores do relatório, lembrando que as empresas americanas de média dimensão empregam cerca de 48 milhões de trabalhadores e geram um terço do produto interno bruto (PIB) do setor privado.
No entanto, apesar de serem grandes o suficiente para serem pilares locais ou regionais, não são tão grandes a ponto de compensar facilmente as perdas numa área com os ganhos em outra.
“Ao responder às mudanças na política comercial, elas podem ser mais ágeis do que as empresas maiores, mas não têm o poder de negociação destas últimas”, acrescentam.
O relatório do JPMorgan Chase Institute junta-se a uma série de diferentes análises recentes que sugerem que as empresas e os consumidores americanos suportaram a maior parte do peso relacionado com as tarifas.
Na semana passada, um estudo publicado pelo Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque no seu ‘blogue’, cujas conclusões não refletem necessariamente a opinião da entidade, afirmava que os consumidores e as empresas americanas foram os que acabaram por suportar “quase 90%” do peso económico dos direitos aduaneiros.
As conclusões publicadas pela Fed de Nova Iorque estão em linha com as de um estudo recente do Instituto Kiel da Alemanha, que em janeiro passado estimou que os importadores e consumidores americanos assumem 96% do custo tarifário, enquanto os exportadores estrangeiros absorvem apenas cerca de 4%, pelo que classificou as tarifas impostas por Washington como “um autogolo”.
Por outro lado, um relatório do Escritório Nacional de Análise Económica (NBER), liderado por Gita Gopinath, ex-vice-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), aponta que a transmissão tarifária é generalizada e, embora o choque tarifário de 2025 ainda não seja tão grande quanto sugerem os anúncios políticos, “os seus custos recaem em grande parte sobre os Estados Unidos”, já que os exportadores, em média, não baixaram os seus preços.