

As tempestades que assolaram o centro do país em janeiro grande parte das redes e deixaram milhares de famílias sem rede, uma parte das quais ainda não viu as ligações repostas. Ainda assim, na perspetiva da NOS, "não havia o que fazer melhor".
A garantia é do CEO da empresa de telecomunicações, Miguel Almeida, numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, dia 4 de março, após a apresentação dos resultados financeiros da empresa em 2025. O próprio admite que o período imediatamente após as intempéries não se desenrolou tão bem quanto gostaria. Porém, diz, daí em diante, a empresa fez tudo o que tinha ao alcance.
"Aquilo que poderia ter corrido melhor foram as primeiras 8 a 12 horas" após a passagem da depressão Kristin por Leiria, ou seja, a resposta imediata. De resto, "não há aprendizagem de resiliência", na medida em que seria impossível a rede ter resistido aos ventos. "Nenhum operador do mundo" aguentaria, salientou.
A NOS viu "quilómetros de fibra destruída" e reconhece que as perdas resultantes ascendem a "milhões de euros", mas ainda não existe uma estimativa concreta. Em todo o caso, o responsável exclui a possibilidade de pedir apoios públicos para cobrir o valor. "Não vamos pedir ao governo para pagar os prejuízos", garante.
Por esta altura, são "menos de cinco mil" os clientes ainda afetados pelas falhas. Para repor a totalidade da rede, ainda deverão ser necessários "mais dois a três meses", reconhece Miguel Almeida.
Falta "bom senso" na discussão sobre o tema
As últimas semanas trouxeram um debate público sobre as infraestruturas de rede, nomeadamente no que diz respeito à resiliência das mesmas. Empresários, responsáveis políticos e outros abordaram a matéria, na sequência das tempestades. Ainda assim, na perspetiva do responsável máximo da NOS, a discussão não está a ser realizada da melhor forma.
"É uma questão que tem sido muito discutida mas poucas vezes com bom senso", atirou, ainda que sem referir nomes concretos.
De resto, o próprio afasta qualquer tipo de responsabilidade pelas falhas no SIRESP, a rede de comunicações exclusiva do Estado Português que, recorde-se, voltou a falhar após a depressão Kristin, como já havia falhado aquando do Apagão. Esta destina-se a comunicações seguras de emergência e conta com a NOS para o suporte crítico essencial à operacionalidade.