Apesar das nuvens no horizonte, a procura turística em Portugal mantém-se pujante com o setor a registar o melhor primeiro trimestre de sempre. A atual conjuntura, pautada pela ameaça de uma retração nas viagens, por via do aumento dos preços e da inflação provocados pela guerra no Médio Oriente, não retirou ainda fôlego à atividade no país.
Portugal recebeu um novo recorde de visitantes nos primeiros três meses de 2026 e cobrou mais caro aos turistas que por cá dormiram. Entre janeiro e março, os estabelecimentos de alojamento turístico receberam 5,8 milhões de hóspedes que foram responsáveis por 13,6 milhões de dormidas, o que corresponde a subidas homólogas de 1,5% e 1,3%, respetivamente, revelam os dados divulgados esta sexta-feira, 15, pelo lnstituto Nacional de Estatística (INE).
Pernoitar num hotel, alojamento local ou pousada também pesou mais na carteira de quem escolheu Portugal para passar férias. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 41,5 euros (+1,5%) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) avançou 2,7% para os 93,8 euros.
A Madeira e Lisboa foram as regiões mais caras para dormir. "O valor de RevPAR mais elevado foi registado na RA Madeira (77,4 euros), seguindo-se a Grande Lisboa (67,3 euros). Este indicador registou os maiores crescimentos na RA Madeira (+6,2%) e no Alentejo (+4,7%). A Grande Lisboa destacou-se ainda com o valor mais elevado de ADR (115,9 euros), seguindo-se a RA Madeira (114,1 euros), tendo esta última apresentado, também neste indicador, o maior crescimento (+10,5%)", detalha o INE.
Os incremento dos preços deu gás às tesourarias dos estabelecimentos de alojamento turístico que somaram proveitos totais recorde - que além do alojamento consideram gastos inerentes à estada dos turistas como restauração, lavandaria entre outros serviços - de mil milhões de euros (+5,5%). Já os proveitos de aposento, que respeitam exclusivamente às dormidas, aumentaram 5,1% para os 734,5 milhões de euros.
A boa performance no trimestre, sublinha o INE, poderá ter beneficiado do efeito Páscoa.
São os estrangeiros os principais responsáveis pelo impulso positivo nos indicadores da atividade. Os turistas vindos de fora realizaram 9,2 milhões de dormidas (+1,4%), ou seja, 68% do total.
Os britânicos mantêm-se como o principal mercado emissor de Portugal (15,6% do total das dormidas de não residentes) apesar do ligeiro decréscimo de 1,1% face ao trimestre homólogo. Já a procura dos alemães, que ocupam a segunda posição, cresceu 5%. A fechar o top 3, surge o mercado dos Estados Unidos com um salto também de 5%.
"Entre os 10 principais mercados emissores, o mercado canadiano apresentou o maior aumento (+10,6%), continuando em aceleração pelo segundo trimestre consecutivo. maior decréscimo observou-se no mercado francês (-10,4%), acentuando a trajetória de queda observada nos últimos trimestres", explica o INE.
Numa análise mais fina por região, o gabinete de estatística detalha que o Brasil, os Estados Unidos, a Itália e a França concentraram mais de metade das suas dormidas na Grande Lisboa. Por outro lado, o Reino Unido e o Canadá foram mais expressivos no Algarve, enquanto que na Madeira destacaram-se os mercados da Polónia e da Alemanha. Já o Norte foi a região onde os espanhóis mais pernoitaram.
"No 1.º trimestre do ano, a dependência dos mercados externos, medida pela proporção de dormidas de não residentes, foi mais elevada na RA da Madeira (85,9% do total), seguida do Algarve (80,9%) e da Grande Lisboa (78,6%). Em contraste, o Centro e o Alentejo apresentaram menor dependência dos mercados externos (23,5% e 32,1%, respetivamente)", refere o gabinete.
No que respeita ao mercado doméstico, as dormidas avançaram mais timidamente para os 4,3 milhões (+1,2%), mantendo a trajetória de abrandamento iniciada no terceiro trimestre de 2025.
O INE destaca a inversão na taxa de crescimento das dormidas dos não residentes, que superou a dos residentes no primeiro trimestre do ano, "após cinco trimestres consecutivos em que a taxa de crescimento das dormidas dos residentes foi superior".
A Grande Lisboa foi a região que concentrou mais dormidas entre janeiro e março (28,6% do total), seguida do Norte (18,9% do total) e do Algarve (18,5%).
As dormidas de residentes concentraram-se, sobretudo, no Norte (24,6% do total), enquanto as dormidas de não residentes ocorreram, principalmente, na Grande Lisboa (33,1% do total).
Já numa leitura ao mapa nacional, o Norte e o Alentejo lideraram com o maior crescimento de dormidas, de 6,3% e 4,4%, respetivamente. Em sentido contrário, os maiores decréscimos foram registados no Este e Vale do Tejo (-6,6%) e na Península de Setúbal (-4,2%).
O mercado interno cresceu mais na Grande Lisboa (+3,9%) e no Algarve (+3,7%) e registou os maiores recuos nas Regiões Autónomas da Madeira (-5,6%) e dos Açores (-5,1%).
"As dormidas de não residentes registaram os maiores crescimentos no Norte (+8,5%) e no Alentejo (+7,4%), enquanto no este e Vale do Tejo se registou o maior decréscimo (-14,4%)",enquadra o gabinete de estatística.