Turismo bate recordes: Proveitos do alojamento disparam para mil milhões com aumento dos preços

Procura turística acelera até março, com aumento do número de hóspedes e de dormidas. Hotéis, alojamentos locais e pousadas e cobraram mais caro por noite e somaram recorde de proveitos.
Turismo bate recordes: Proveitos do alojamento disparam para mil milhões com aumento dos preços
Paulo Spranger
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Apesar das nuvens no horizonte, a procura turística em Portugal mantém-se pujante com o setor a registar o melhor primeiro trimestre de sempre. A atual conjuntura, pautada pela ameaça de uma retração nas viagens, por via do aumento dos preços e da inflação provocados pela guerra no Médio Oriente, não retirou ainda fôlego à atividade no país.

Portugal recebeu um novo recorde de visitantes nos primeiros três meses de 2026 e cobrou mais caro aos turistas que por cá dormiram. Entre janeiro e março, os estabelecimentos de alojamento turístico receberam 5,8 milhões de hóspedes que foram responsáveis por 13,6 milhões de dormidas, o que corresponde a subidas homólogas de 1,5% e 1,3%, respetivamente, revelam os dados divulgados esta sexta-feira, 15, pelo lnstituto Nacional de Estatística (INE).

Pernoitar num hotel, alojamento local ou pousada também pesou mais na carteira de quem escolheu Portugal para passar férias. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 41,5 euros (+1,5%) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) avançou 2,7% para os 93,8 euros.

A Madeira e Lisboa foram as regiões mais caras para dormir. "O valor de RevPAR mais elevado foi registado na RA Madeira (77,4 euros), seguindo-se a Grande Lisboa (67,3 euros). Este indicador registou os maiores crescimentos na RA Madeira (+6,2%) e no Alentejo (+4,7%). A Grande Lisboa destacou-se ainda com o valor mais elevado de ADR (115,9 euros), seguindo-se a RA Madeira (114,1 euros), tendo esta última apresentado, também neste indicador, o maior crescimento (+10,5%)", detalha o INE.

Os incremento dos preços deu gás às tesourarias dos estabelecimentos de alojamento turístico que somaram proveitos totais recorde - que além do alojamento consideram gastos inerentes à estada dos turistas como restauração, lavandaria entre outros serviços - de mil milhões de euros (+5,5%). Já os proveitos de aposento, que respeitam exclusivamente às dormidas, aumentaram 5,1% para os 734,5 milhões de euros.

A boa performance no trimestre, sublinha o INE, poderá ter beneficiado do efeito Páscoa.

Canadianos lideram crescimento

São os estrangeiros os principais responsáveis pelo impulso positivo nos indicadores da atividade. Os turistas vindos de fora realizaram 9,2 milhões de dormidas (+1,4%), ou seja, 68% do total.

Os britânicos mantêm-se como o principal mercado emissor de Portugal (15,6% do total das dormidas de não residentes) apesar do ligeiro decréscimo de 1,1% face ao trimestre homólogo. Já a procura dos alemães, que ocupam a segunda posição, cresceu 5%. A fechar o top 3, surge o mercado dos Estados Unidos com um salto também de 5%.

"Entre os 10 principais mercados emissores, o mercado canadiano apresentou o maior aumento (+10,6%), continuando em aceleração pelo segundo trimestre consecutivo. maior decréscimo observou-se no mercado francês (-10,4%), acentuando a trajetória de queda observada nos últimos trimestres", explica o INE.

Numa análise mais fina por região, o gabinete de estatística detalha que o Brasil, os Estados Unidos, a Itália e a França concentraram mais de metade das suas dormidas na Grande Lisboa. Por outro lado, o Reino Unido e o Canadá foram mais expressivos no Algarve, enquanto que na Madeira destacaram-se os mercados da Polónia e da Alemanha. Já o Norte foi a região onde os espanhóis mais pernoitaram.

"No 1.º trimestre do ano, a dependência dos mercados externos, medida pela proporção de dormidas de não residentes, foi mais elevada na RA da Madeira (85,9% do total), seguida do Algarve (80,9%) e da Grande Lisboa (78,6%). Em contraste, o Centro e o Alentejo apresentaram menor dependência dos mercados externos (23,5% e 32,1%, respetivamente)", refere o gabinete.

No que respeita ao mercado doméstico, as dormidas avançaram mais timidamente para os 4,3 milhões (+1,2%), mantendo a trajetória de abrandamento iniciada no terceiro trimestre de 2025.

O INE destaca a inversão na taxa de crescimento das dormidas dos não residentes, que superou a dos residentes no primeiro trimestre do ano, "após cinco trimestres consecutivos em que a taxa de crescimento das dormidas dos residentes foi superior".

A Grande Lisboa foi a região que concentrou mais dormidas entre janeiro e março (28,6% do total), seguida do Norte (18,9% do total) e do Algarve (18,5%).

As dormidas de residentes concentraram-se, sobretudo, no Norte (24,6% do total), enquanto as dormidas de não residentes ocorreram, principalmente, na Grande Lisboa (33,1% do total). 

Norte e Alentejo com maior crescimento nas dormidas

Já numa leitura ao mapa nacional, o Norte e o Alentejo lideraram com o maior crescimento de dormidas, de 6,3% e 4,4%, respetivamente. Em sentido contrário, os maiores decréscimos foram registados no Este e Vale do Tejo (-6,6%) e na Península de Setúbal (-4,2%).

O mercado interno cresceu mais na Grande Lisboa (+3,9%) e no Algarve (+3,7%) e registou os maiores recuos nas Regiões Autónomas da Madeira (-5,6%) e dos Açores (-5,1%).

"As dormidas de não residentes registaram os maiores crescimentos no Norte (+8,5%) e no Alentejo (+7,4%), enquanto no este e Vale do Tejo se registou o maior decréscimo (-14,4%)",enquadra o gabinete de estatística.

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