O setor do turismo deverá bater recordes de chegadas e de gastos em 2026, mas vai abrandar devido à instabilidade e incerteza geopolítica internacional, segundo o Relatório Global de Viagens da WTM 2026, divulgado esta terça-feira em Londres.
Segundo o estudo da Tourism Economics, subsidiária da consultora britânica Oxford Economics, este ano deverão registar-se 1,57 mil milhões de chegadas internacionais com dormida, um aumento de 2% em relação a 2025 e um novo recorde. O mesmo relatório estima que as despesas destes visitantes vão crescer 6% em 2026 relativamente ao ano anterior, atingindo 1,8 biliões de dólares (1,6 biliões de euros).
Ainda assim, o crescimento vai desacelerar este ano para 2%, em comparação com os 6% registados em 2025, referem os autores do relatório, publicado anualmente durante a feira World Travel Market (WTM).
O conflito entre os Estados Unidos e o Irão, o aumento dos preços do combustível de aviação e do custo de vida estão a afetar sobretudo a procura das viagens de longo curso.
A guerra não só levantou preocupações com a segurança na região, mas levou à suspensão dos aeroportos no Golfo, que representaram 15% do tráfego global em 2025.
No Médio Oriente, as chegadas com dormida registaram uma queda de 40% este ano, mas o relatório prevê que recuperem rapidamente e disparem 43% em 2027 se o conflito for resolvido.
Esta conjuntura internacional levou ao aumento em 3% das viagens de curta distância, particularmente na Europa e na África Subsariana.
O aumento dos custos e o sentimento negativo dos viajantes em relação aos Estados Unidos reduziu a procura naquele país, cujas chegadas internacionais só deverão aumentar 2% em 2026, apesar de ter organizado o Campeonato Mundial de Futebol 2026.
O relatório aponta para uma grande resiliência no setor do turismo, com muitas pessoas, sobretudo jovens, a manter os gastos em viagens como uma prioridade com o objetivo de relaxar ou descobrir novas experiências.
Outra tendência identificada é o uso crescente da tecnologia para planear as viagens, em especial plataformas de Inteligência Artificial, nomeadamente para procurar recomendações e comparar preços.
Se a instabilidade internacional recuar, a Oxford Economics prevê que as chegadas internacionais cresçam 8% em 2027 e as viagens de longo curso 11%.
A tendência ascendente deverá manter-se nos anos seguintes, atingindo 2,2 mil milhões de chegadas até 2032, especialmente graças a mercados como a Índia e a China.
"Vivemos tempos de incerteza, tanto a nível político como económico. Apesar disso, estamos a assistir a uma verdadeira resiliência", afirmou o diretor da Tourism Economics, Dave Goodger, salientando que a indústria "recupera-se após cada revés".
"Já vimos isto acontecer repetidamente e constatámos que a velocidade de recuperação tem acelerado ao longo do tempo", vincou, durante a apresentação em Londres.
Questionado sobre se a agitação social registada em países europeus, como França, Itália, Espanha ou Portugal, tem efeitos no turismo, Goodger admitiu que "as pessoas evitam esses destinos enquanto o assunto está nas notícias e nas manchetes (dos jornais)", mas que "acabam por regressar a esses destinos".