“Uma PME robusta tem que ter o seu próprio datacenter”, diz Marco Galinha

O presidente do Grupo Bel, Marco Galinha, falava num painel da 2ª Edição do Conversas com Fomento, uma iniciativa do Banco do Fomento, em Lisboa.
O presidente do Grupo Bel, Marco Galinha
O presidente do Grupo Bel, Marco GalinhaReinaldo Rodrigues
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O empresário Marco Galinha, presidente do Grupo Bel (dono do Diário de Notícias, considerou esta quarta-feira que “uma PME robusta tem que ter o seu próprio datacenter”, uma componente central para “garantir o futuro e a independência da empresa”.

“O grupo está a investir fortemente num datacenter, está praticamente concluído com a nossa tecnologia e que eu acho que é fundamental para os dias que aí vêm”, salientou.

O empresário falava num painel da 2ª edição da "Conversas com Fomento", uma iniciativa do Banco de Fomento, a decorrer esta quarta-feira, em Lisboa.

De acordo com o presidente do Grupo Bel, “a Inteligência Artificial não vai resolver os problemas todos, mas vai acelerar e vai criar um vazio de desemprego. Mas também vai criar muitas oportunidades (…). Nós temos que nos adaptar a estas novas condições: à tecnologia, aos data centers, aos nossos próprios LLM”.

“Eu sei que isto não é bom para grandes operadores mundiais, mas temos que ter acesso à segurança, à informação. É isso que nós estamos a fazer, a preparar-nos também para estes riscos climatéricos, que nos fizeram estar quase 30 dias sem energia”.

Para o empresário, é preciso “investir em tecnologia, ter os edifícios preparados e, acima de tudo, ter data centers, que vão ser o nosso coração e o futuro, a independência das empresas”.

Sobre o uso da IA, Marco Galinha disse que “60 a 70% das minhas decisões são baseadas em algoritmos de Inteligência Artificial”.

“Isto pode parecer assustador, mas é um conceito que eu tenho e estou a dar-me muito bem. E as integrações também são feitas com estas ferramentas.

Sobre o tema da sustentabilidade, o empresário e gestor considerou que as empresas europeias “só têm vantagem” em seguir os princípios do ESG (Ambiente, Sustentabilidade e Governance).

“Neste mundo de diversidades constantes, quem respeita as pessoas, quem trata bem as pessoas, vai ganhar. E eu diria que a Europa está a liderar este processo. Não tem muito impacto mundial porque a potências mundiais poluem muito mais do que Europa. Mas nós temos a nossa consciência tranquila e os nossos amigos vão estar aqui. É aqui que eles vão gostar de viver e é aqui que vão criar riqueza”, disse Marco Galinha.

Especificamente sobre o Grupo Bel, o gestor disse que “a sustentabilidade de todas as operações que fazemos é um princípio de verticalização. É o nosso core, é a nossa essência”, sublinhou. 

“A sustentabilidade do grupo é o nosso código”, completou o empresário. “Em 2001 nós fomos fundados com esse princípio. Fomos a primeira empresa em Portugal a ter um carro eléctrico, a ter um carro híbrido, a investir em sistemas de painéis solares, não porque é sexy ou interessante, mas acima de tudo porque é o nosso conceito. As empresas de valor criam valor, deixam valor à sociedade”.

Numa resenha sobre o grupo Bel, Marco Galinha explicou que hoje detém 115 empresas, empregando quase 4.000 funcionários.

Marco Galinha, que é de Leiria, abordou o tema dos temporais que devastou várias regiões de Portugal, mas sobretudo a região Centro. 

“Quero dar aqui hoje uma boa notícia sobre Leiria. Recebemos hoje eletricidade. Não sei se é por estar aqui, mas a eletricidade chegou há 30 minutos às [nossas] empresas”, revelou. Por isso mesmo, o empresário deixou uma palavra de confiança “a todos os empresários resilientes de Leiria que suportaram isto”. “Foi uma desgraça total, uma destruição massiva nunca vista, muito pior do que o Covid”.

“Nós temos muitos fornecedores, muitos clientes, empresários. Para terem ideia, 50 a 60% dos cafés fecharam. Estão agora a abrir e também queria dar os parabéns à rede eléctrica de Portugal, à EDP e à E-Redes acima de tudo. Fizeram um trabalho incrível de recuperação e de superação, porque foi uma destruição massiva de estruturas”, concluiu.

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