A Bolt entra em 2026 com uma perspetiva positiva para o mercado português e vê "condições" para reduzir libertar o centro das cidades dos maiores fluxos de trânsito. Continua a ver crescimento da empresa e do mercado, com a procura a acelerar acima da oferta de carros de serviço.
De acordo com Mário de Morais, diretor geral da Bolt Portugal, 2025 "foi um bom ano" e o mercado TVDE "está a crescer", à escala nacional. De resto, a empresa está presente em todos os distritos do território nacional (continente e ilhas), para transporte individual e remunerado de passageiros, em automóveis. A somar a isto, tem bicicletas e trotinetes nos distritos em que as infraestruturas assim permitem.
À conversa com o DN e DV, o responsável assinala o "segundo ano consecutivo" da empresa na liderança de um setor que, diz, continua em franco crescimento. "A procura mais do que duplicou a oferta", sobretudo em função de um crescimento ao nível da procura local (por residentes), que aumentou mais do que a de turistas.
A solução TVDE reúne hoje as preferências de muitos jovens. De acordo com o próprio, estas gerações abdicam, em muitos casos, de comprar um carro (pelos gastos que acarreta, desde a compra à manutenção), para optarem por fazer chamar um veículo que os deixe no destino (dispensando também a necessidade de estacionar o carro). Por outro lado, "as gerações mais antigas também já se estão a habituar" a esta dinâmica, ainda que o ritmo de adesão seja mais gradual.
Neste contexto, alerta para a falta de carros TVDE em circulação. "Havia a ideia de que estavam em excesso, mas ainda são poucos para o que precisamos nas cidades portuguesas", reitera Mário de Morais.
Confrontado com o aumento das queixas de clientes do setor no Portal da Queixa, não mostra preocupação. Começa por dizer que não é o caso da Bolt e sublinha que este aumento fica abaixo do crescimento do mercado.
"Em termos relativos, há menos queixas", ao mesmo tempo que os padrões dos consumidores estão mais altos, de acordo com o próprio. "As pessoas são cada vez mais exigentes com a qualidade do serviço" e, em todo o caso, o mercado "vai ter uma grande subida da qualidade" nos próximos anos.
Dos carros e trotinetes para as viagens de comboio
De acordo com o líder da Bolt em Portugal, importa suportar um "crescimento sustentável" no setor e a empresa quer posicionar-se, de forma crescente, como uma "plataforma de mobilidade" em todo o país. Um cenário que vai exige parcerias com empresas de transportes coletivos.
Além dos carros, a Bolt está presente no segmento de bicicletas e trotinetes. A este respeito, "Portugal é um país muito convidativo", na medida em que "há investimento em infraestrutura e temos dez meses de sol por ano", salienta.
Ao mesmo tempo, importa "não entupir de carros o centro das cidades", sublinha. Para este propósito, muito contribui a chamada micromobilidade, com recurso às ciclovias, pelo que destaca o objetivo da Bolt de se tornar plataforma de viagens entre cidades, em percursos que requerem percorrer distâncias muito maiores, mas de forma financeiramente atrativa do que uma viagem de carro.
"Queremos que as pessoas possam utilizar os transportes públicos e intercidades", quando houver vantagem (por causa do preço ou do trânsito, por exemplo). Para isso, a Bolt está a realizar contactos com outras empresas para poder vender, na app da Bolt, bilhetes para utilização de "transportes públicos e intercidades", por todo o território nacional. É o caso de comboios e autocarros, a título de exemplo.
"A ideia é que uma pessoa possa pedir uma viagem de Lisboa para Coimbra e reservar lugar num autocarro ou comboio" e chegando ao terminal de transportes, chamar um carro, que a leve ao destino. Portugal caminha para "ser um país pioneiro nesta multimodalidade", acrescenta.
"Estamos em conversações com várias empresas de transportes para fazermos parcerias", tendo em vista um "novo paradigma" no setor da modalidade. Mário de Morais não revela nomes das empresas em questão, mas perspetiva "ter novidades no segundo trimestre."
Carros autónomos a caminho?
A Bolt mantém os planos anunciados no ano passado para lançar projetos piloto de carros autónomos "em 2026". Portugal pode dar espaço a estes, sendo que há abertura do Governo, explica.
"Vamos começar a ver pilotos por toda a Europa, quiçá em Portugal", ao mesmo tempo que a plataforma se mostra "recetiva a todas as boas soluções" nesta matéria. Os próximos "três a cinco anos" devem trazer "algum crescimento", que deve acontecer de forma gradual.
Neste âmbito, sente do Executivo e de Bruxelas "uma vontade muito grande em criar as condições certas para que se comece a testar", aponta o diretor geral da Bolt Portugal. "Vemos o Governo e o IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] muito abertos a ter um diploma para que possamos começar a fase de testes", acrescenta.