Venezuela: Caracas e Washington estabelecem parceria energética de longo prazo

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, anunciou o acordo, juntamente com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, após uma reunião em Caracas.
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interinaRAYNER PENA R/EPA
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A Venezuela e os Estados Unidos estabeleceram na quarta-feira, 11 de fevereiro, uma "parceria produtiva de longo prazo" no setor energético e discutiram projetos nas áreas do petróleo, gás, mineração e eletricidade, divulgaram os dois países.

O acordo foi anunciado pela Presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, após uma reunião privada em Caracas.

No Palácio de Miraflores, sede do Governo venezuelano, Rodríguez, que não especificou o prazo acordado, referiu que o objetivo é que a parceria entre Caracas e Washington "se torne um motor da relação bilateral e que esta agenda energética seja produtiva, eficaz, benéfica para ambos os países e complementar".

A líder chavista, que observou que as duas nações mantêm relações energéticas há um século e meio, indicou que vão trabalhar para garantir que esta agenda "possa avançar sem problemas e sem contratempos".

Rodríguez expressou ainda a sua esperança de que ambos os países superem as suas diferenças através da diplomacia.

Estiveram também presentes autoridades venezuelanas, como a ministra da Economia e Finanças, Anabel Pereira Fernández, e o vice-presidente para os Assuntos Económicos, Calixto Ortega.

Esta é a primeira visita de um alto responsável de Washington desde a operação militar de janeiro, durante a qual Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram capturados.

Recentemente, ambos os países têm tomado decisões para facilitar o investimento em petróleo.

Wright chegou ao palácio presidencial de Miraflores duas semanas após a aprovação de uma reforma legislativa pelo Parlamento venezuelano que abriu o setor petrolífero ao investimento estrangeiro e após o Departamento do Tesouro dos EUA ter flexibilizado as restrições às empresas norte-americanas que operam no país das Caraíbas.

Num comunicado divulgado em Caracas, o Departamento de Energia dos EUA descreveu a chegada de Wright como histórica, referindo que visitará alguns dos campos petrolíferos do país "para ver em primeira mão como o histórico Acordo de Energia EUA-Venezuela do Presidente Trump está a impulsionar a paz e a prosperidade".

Wright garantiu também que o Presidente Donald Trump tem um "compromisso fervoroso" em transformar a relação bilateral, que está tensa desde 2019.

"Os nossos países partilham uma longa história com muitos capítulos, como todas as relações. E trago uma mensagem do Presidente Trump, que tem um compromisso fervoroso em transformar a relação entre os Estados Unidos e a Venezuela", frisou o secretário da Energia, ao lado de Rodríguez.

Segundo Wright, o objetivo de Trump é unir os países e "trazer comércio, paz, prosperidade, empregos e oportunidades para a Venezuela" através de uma parceria com os EUA.

O responsável observou que, durante o encontro com Rodríguez, falaram "com grande franqueza sobre as enormes oportunidades" que se colocam e "sobre alguns dos problemas e desafios".

Nesse sentido, afirmou que se comprometeram a "trabalhar em conjunto para os resolver", o que acredita ser possível, e a "seguir em frente com as enormes oportunidades".

Além disso, Wright explicou que a sua visita a Caracas e a parceria com a Venezuela fazem parte de uma "agenda mais ampla" de Trump para "tornar as Américas grandes outra vez" e promover a paz e a prosperidade, e não o conflito ou "ações militares", que, acrescentou, "têm dominado o mundo em regiões como o Médio Oriente e o sul da Ásia".

Chris Wright defendeu também em Caracas um "aumento drástico" na produção de crude no país sul-americano, realçando que melhoraria a qualidade de vida de "todos os venezuelanos".

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