

A Repsol está otimista quanto ao futuro da Venezuela e prepara-se para restabelecer as operações diárias no país, onde espera aumentar em 50% a produção bruta de petróleo num ano, disse esta quinta-feira, 19, o presidente executivo da empresa.
O CEO da multinacional espanhola Repsol, Josu Jon Imaz, que falava numa conferência com analistas, lembrou que a empresa obteve recentemente licenças por parte dos Estados Unidos - que fizeram uma intervenção militar em 03 de janeiro na Venezuela e capturaram o então Presidente, Nicolás Maduro - que lhe permitem operar no país da América Latina.
Josu Jon Imaz disse que a empresa espera aumentar em 50% a produção bruta de petróleo em 12 meses na Venezuela e triplicá-la em três anos.
O CEO defendeu que a Venezuela está agora "numa situação significativamente melhor do que há dois meses", por estar "a abrir-se uma nova janela de oportunidade para um futuro melhor" no país e para o setor em que opera a Repsol.
A Repsol "está a trabalhar estreitamente" com as autoridades norte-americanas e venezuelanas e com os parceiros da PDVSA (Petróleos da Venezuela, empresa pública) para que tudo avance "numa direção positiva", acrescentou.
Josu Jon Imaz afirmou que a retoma das operações diretas da Repsol na Venezuela passa por uma primeira contribuição: continuar a abastecer com gás o sistema elétrico nacional para "estabilizar o país".
Em paralelo, a Repsol está a preparar-se para começar a levantar carregamentos de petróleo venezuelano para exportação para Espanha, Estados Unidos "ou qualquer outro destino adequado que esteja autorizado" no quadro da licença que obteve, assim como para aumentar a produção de gás na Venezuela, investir na renovação das instalações de produção de petróleo e num plano para o campo petrolífero Carabobo, disse o CEO.
"Estamos confiantes de que uma relação comercial normal poderá financiar esta aproximação 'win win' [vantajosa para as duas partes], já que o país obterá maior produção e maiores receitas com "royalties' e nós teremos mais recursos para financiar esta operação. E, claro, continuamos abertos a explorar outras oportunidades para o futuro", afirmou.
"A minha visão é otimista sobre a Venezuela", disse Josu Jon Imaz, que se referia tanto à situação do país como à evolução do setor do petróleo e do gás natural, que disse que tem de ter um papel significativo na estabilização da situação venezuelana.
A Repsol, presente em Portugal, revelou hoje que teve lucros de 1.899 milhões de euros no ano passado, mais 8,1% do que em 2024.
O "resultado líquido ajustado, que mede especificamente a gestão ordinária dos negócios", ascendeu a 2.568 milhões de euros em 2025, menos 15,1% comparando com 2024.
Num comunicado, a Repsol atribuiu estes resultados ao "contexto complexo" e "desafiador" de 2025, "marcado pela elevada volatilidade nos mercados energéticos", que fez cair o preço médio do barril de Brent para os 69,1 dólares, menos 15,5% do que no ano anterior, a "uma crescente incerteza geopolítica" e "ao impacto do apagão" na Península Ibérica de 28 de abril de 2025.
Em 2025, a empresa completou a saída da Colômbia e da Indonésia, "para concentrar as operações em geografias com maiores vantagens competitivas, como os Estados Unidos", e a produção média diária ascendeu a 548.000 barris de petróleo, "em linha com o previsto no plano estratégico".
Este ano, a Repsol prevê chegar a uma produção de entre 560.000 e 570.000 barris por dia, "sem ter em conta o possível incremento da produção na Venezuela".
A Repsol vai apresentar em 10 de março novas estimativas para o período 2026-2028, "o que permitirá à empresa adaptar-se à evolução do contexto macroeconómico, regulatório e empresarial do setor energético", segundo o comunicado divulgado hoje.