Zara e Primark unem-se ao El Corte Inglés na guerra contra Temu e Shein

Algumas das maiores entidades do retalho em Espanha querem ver regulação sobre as concorrentes chinesas a que os consumidores europeus compram todo o tipo de produtos a preços mais baixos.
Zara e Primark unem-se ao El Corte Inglés na guerra contra Temu e Shein
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Há uma guerra aberta no setor do retalho, a envolver milhares de milhões de produtos transacionados todos os anos.

As retalhistas chinesas de baixo custo continuam a ganhar espaço face às empresas europeias, no mercado europeu. Os preços mais baixos resultam de práticas que não correspondem aos padrões da UE e que são agora alvo de uma acusação de concorrência desleal, que une as gigantes espanholas do setor.

A acusação parte de duas associações empresariais espanholas. A primeira a insurgir-se foi a Anged, que representa os grupos donos do El Corte Inglés e Carrefour, a par de outros. A esta, junta-se a Arte, que une empresas como a Inditex (dona da Zara), Mango, Primark ou H&M, entre outras. Somam-se ainda organizações de defesa dos consumidores.

A ação é movida contra a Temu e a Shein, duas empresas chinesas que exportam todo o tipo de produtos para todo o mundo, incluindo os Estados-membros da UE (entre os quais Portugal). Ora, de acordo com a ação, "o crescimento das importações de baixo valor" conduziu a um cenário em que a capacidade de controlo das autoridades europeias fica abaixo do exigível.

Na perspetiva das entidades espanholas mencionadas, a situação "está a pôr em perigo a segurança e saúde dos consumidores e a minar gravemente a competitividade das nossas empresas", apontam. Em causa está a "forte assimetria regulatória". Isto porque os operadores europeus estão sujeitos a estritas regras fiscais, de trabalho, segurança e saúde, que "as plataformas extracomunitárias nem sempre cumprem", acrescenta-se.

Disparo nas importações e novas taxas

Os números mais recentes indicam que, na Europa, o número de consumidores daquelas plataformas aumentou 36% em 2024. O resultado prático são 4,6 mil milhões de encomendas de baixo custo.

Ora, no dia 1 de julho vai entrar em vigor uma taxa de três euros sobre cada encomenda de baixo custo importada de fora da UE para um dos Estados-membros. A norma foi aprovada em Bruxelas e refere-se a cada produto cujo preço seja inferior a 150 euros.

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