Endividamento da economia renova máximos em junho para 806,9 mil milhões de euros

Peso do endividamento no PIB caiu para 320,3%, mas a dívida continua a aumentar. Setor público foi o principal responsável pelo aumento no primeiro semestre, mas o privado continua a ser o que mais pesa no passivo total da economia.
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A dívida das famílias, empresas e do Estado aumentou 12,9 mil milhões de euros no final do primeiro semestre, fazendo o passivo total da economia disparar para um valor recorde de 806,9 mil milhões de euros em junho, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

Trata-se do sexto mês consecutivo em que o endividamento do setor não financeiro cresce, sendo que, do total da dívida, 442 mil milhões de euros diziam respeito ao setor privado (empresas privadas e particulares) e 364,9 mil milhões ao setor público (administrações públicas e empresas públicas).

Relativamente ao peso do endividamento da economia no Produto Interno Bruto (PIB), o banco central revela que o rácio diminuiu de 331,9% no final de 2022, para 320,3% no primeiro semestre de 2023, e que tanto a dívida do setor público, como a do privado decresceram de 146,9% para 144,8% e de 185,0% para 175,4%, respetivamente.

Esta descida terá sido motivada pelo crescimento do PIB, explica o banco central: "No primeiro semestre de 2023, o crescimento mais elevado do PIB que do endividamento originou uma evolução dos indicadores do endividamento do setor não financeiro, em percentagem do PIB, contrária à observada para os valores nominais."

Apesar de o setor privado continuar a assumir um maior peso nas contas globais, o setor público foi o principal responsável pelo aumento da dívida da economia até junho.

O acréscimo foi de 13,4 mil milhões de euros e fez-se sobretudo do lado das famílias (10,6 mil milhões), que apostaram fortemente nos Certificados de Aforro, e das administrações públicas (5,9 mil milhões). "Em contrapartida, o endividamento do setor público junto do exterior diminuiu 4,3 mil milhões de euros", indica a instituição liderada por Mário Centeno.

O setor privado, por seu turno, viu a sua dívida reduzir-se em 600 milhões de euros, tendo o endividamento dos particulares decrescido 700 milhões, essencialmente junto dos bancos. A contrabalançar, as empresas aumentaram o seu passivo em 100 milhões de euros, que resultaram de uma subida de 300 milhões da dívida junto do setor financeiro, parcialmente compensada por uma redução de 200 milhões do valor devido às famílias.

Quando comparado com o período homólogo, o endividamento das empresas privadas cresceu 0,6%, enquanto o dos particulares aumentou 0,9%.

Em ambos os setores, a dívida tem continuado a aumentar, "embora com as taxas de variação anuais a reduzirem-se, em relação ao final de 2022, 1,6 e 3,2 pontos percentuais, respetivamente", destaca o BdP.

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