Portugal vai hoje assinar um acordo na área da energia com a Alemanha, França, Espanha e Marrocos, segundo a informação divulgada pela secretaria de Estado da Energia.
A declaração conjunta que será assinada pelos cinco países, em Marrocos, no âmbito do encontro que decorre em Marraquexe a propósito da implementação do Acordo de Paris (COP22), "visa promover um plano para o Comércio de Eletricidade Sustentável".
Em causa está "o planeamento da progressiva integração" entre os mercados de energia dos vários países, com o foco no "reforço das interligações de energia" entre a Península Ibérica e o resto da Europa e a futura interligação entre Portugal e Marrocos. Para Portugal, a assinatura deste acordo representa mais um passo nesse caminho.
O Governo português tem empreendido contactos com Marrocos para a construção de um cabo submarino que permita a compra e venda de energia entre os dois países. O objetivo para Portugal é vender eletricidade produzida a partir de fontes renováveis (que já representam 60% da produção desde o início do ano) e, ao mesmo tempo, comprar gás natural a Marrocos, através desta interligação.
Por isso mesmo, aproveitando a cimeira dedicada ao clima, Portugal quer defender a ligação das renováveis à rede, trazendo o tema das interligações elétricas "no debate das renováveis", afirmou recentemente ao Dinheiro Vivo o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches.
Já sobre as interligações entre a Península Ibérica e o resto da Europa a discussão é antiga e vem do Governo anterior: França tem-se oposto a este projeto, uma vez que a sua principal forma de produção de eletricidade são as centrais nucleares e há o receio de que as interligações, com base em renováveis, possam penalizar as suas centrais.
A aprovação de Paris, que é fundamental para o processo porque as interligações entre a Península Ibérica e o resto da Europa têm de ser feitas na fronteira entre Espanha e França.
O objetivo deste plano é que se concretize num acordo a implementar pelos cinco países até à próxima cimeira do clima (COP23).
A declaração será assinada pelo Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches e por representantes do governo dos restantes países signatários, incluindo o ministro da energia espanhol, Álvaro Nadal, país que integra o acordo depois de largos meses sem governo.
"Portugal está entre os países que mais apostaram nas energias renováveis, tendo-se assistido a uma crescente incorporação destas fontes na produção de eletricidade", frisa a secretaria de Estado da Energia, acrescentando que "muito desse esforço resulta do compromisso assumido com a União Europeia para, em 2020, haver um contributo de 31% de fontes de energia renovável no consumo final de energia. Atualmente, já se cumpriu mais de 87% da meta definida para 2020". Feitas as contas, 27% da energia consumida em Portugal é de fontes renováveis.