Energy Up: ir de bicicleta para a escola pelo futuro de todos

Imagine uma escola onde a maior parte dos alunos anda de bicicleta. Este cenário existe em Portugal e valeu aos alunos do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré uma distinção muito especial.
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Aos 14 anos, Sofia Santos afirma com naturalidade que o habitual é vir de bicicleta para a escola. "Gosto da independência que a bicicleta me dá, não tenho de estar à espera dos meus pais, posso ir ter com os meus amigos quando quero", justifica. Tal como ela, centenas de alunos do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré pegam nas suas bicicletas todas as manhãs e pedalam até à escola, um ato de independência e, ao mesmo tempo, de consciência ambiental.

Ainda assim, nos últimos tempos, alunos e professoram notaram algo que era, para eles, um retrocesso: mais pais estavam a optar por levar os filhos de carro, o que estava a aumentar os níveis de gases poluentes na zona da escola, especialmente às horas de entrada e de saída. "Não percebíamos como é que se estava a deixar um hábito tão bom, mesmo nos dias em que estava bom tempo", aponta Teresa Pacheco, professora de Físico-Química.

Foi aí que Teresa e Manuel Santos, seu colega de profissão, decidiram desafiar os alunos a pensar criticamente aquela situação e a arranjarem soluções. E assim surgiu o projeto Smart Air, desenvolvido em parceria com a Câmara de Ílhavo e a Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. O ponto de partida deu-se com o desenvolvimento de medidores eletrónicos dos gases poluentes, um trabalho feito totalmente pelos alunos de Manuel Santos.

Guilherme Calisto, aluno do Ensino Profissional, é o primeiro a dizer que para se mudar o mundo tem de se ter essa vontade. Por isso mesmo, dedicou muito do seu tempo extracurricular ao desenvolvimento deste dispositivo, bem como de um posto de carregamento para bicicletas e outro para telemóveis, todos alimentados a energia solar, a serem instalados na escola. "Todos estes aparelhos vão tornar a nossa escola mais sustentável", afirma o rapaz de 16 anos.

O projeto avançou depois para a sensibilização da população para o regresso aos hábitos antigos e está agora na fase de implementação, que, dizem os professores, já se sente nas medições diárias de gases, que são já divulgadas no site do agrupamento e vão ser visíveis a todos os que entram na escola com a instalação de um semáforo. "Tem sido um longo caminho para aqui chegarmos, mas sabemos que o projeto tem pernas para andar e temos muitas ideias para desenvolver", garante Teresa Pacheco.

Foi a disposição desta comunidade para "por a mão na massa" e desenvolver um projeto interdisciplinar que lhe valeu o primeiro lugar do Prémio Escola Energy Up, a iniciativa da Fundação Galp que reconhece, incentiva e divulga projetos desenvolvidos em contexto escolar que tenham como objetivo repensar a mobilidade e contribuir para a transição energética. Com esta distinção veio também um prémio que permitirá à escola ser ainda mais sustentável: a instalação de 53 painéis solares no valor de 20 mil euros, cuja produção perfaz 10% do seu consumo energético.

"O futuro vem das escolas, vem das novas gerações. E acreditamos que há projetos e escolas que podem ser bastiões da mudança", apontou Diogo Sousa, diretor da Fundação Galp, referindo-se à comunidade da Gafanha da Nazaré como um desses bastiões. Depois desta distinção, o prémio avança para a segunda edição, com inscrições abertas até dia 8 de abril no site da Fundação Galp.

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