"Falar sobre os desafios que se irão colocar à Engenharia nas próximas décadas é falar dos desafios que se colocam ao próprio país, porque será necessária a intervenção destes profissionais no processo de modernização, de reconversão e de reindustrialização de que tanto ouvimos falar e que tem de ser um desiderato nacional", afirma Carlos Mineiro Aires, bastonário da Ordem dos Engenheiros. Este responsável explica assim a necessidade de debater as várias situações que os profissionais vão enfrentar nesta fase pós-pandemia. É a pensar em todos estas questões que a Ordem dos Engenheiros promove um debate que tem como tema "Olhar os desafios da Engenharia XXI", e que pretende ser um momento de reflexão que envolve os profissionais deste setor. A sessão será emitida a 26 de maio, às 10 horas da manhã, no site do Dinheiro Vivo.
Este evento, que será realizado online, contará com a presença de Carlos Mineiro Aires, bastonário da Ordem dos Engenheiros, Miguel Castro Neto, subdiretor da Nova IMS, Francisco Ferreira, da Associação Zero e Rita Moura, da PTPC/Cluster AEC, todos eles engenheiros de formação. O bastonário da Ordem dos Engenheiros fará a sua intervenção sobre a importância da engenharia na consecução das principais políticas públicas e vetores de investimento nacionais e Miguel Castro Neves falará sobre a digitalização de processos e as novas cidades (as chamadas smart cities), uma vez que é responsável pelo Nova Cidade - Urban Analytics Lab. Já a intervenção de Francisco Ferreira será mais direcionada para a mitigação do impacto das alterações climáticas, dado o seu trabalho na Zero, e Rita Moura incidirá sobre a área da construção e das infraestruturas.
Transição digital e apoio à modernização
A Ordem dos Engenheiro acredita que as próximas décadas, sobretudo nesta fase pós-pandémica, vão ser desafiantes para os profissionais da Engenharia, já que estão previstos inúmeros investimentos destinados à recuperação económica. Os engenheiros vão ter aqui um papel crucial, quer seja na área da saúde, quer seja na área das infraestruturas e habitação, passando pela descarbonização da economia e pela sustentabilidade, e por tantas outras que surgem como prioritárias no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que o governo português apresentou à União Europeia.
Para o Bastonário da Ordem é necessária uma reconversão industrial baseada no conhecimento e voltada para os reptos do futuro, onde as empresas, em parceria com as universidades, politécnicos e outros centros de investigação terão de procurar fazer diferente e melhor nesta exigente fase de transição digital. "A transição digital e o apoio à modernização das empresas terão de ser prioridades, pois a capacidade de inovação e de criação de riqueza surgirão naturalmente, uma vez que os jovens criativos, engenheiros e não só, têm capacidade para o fazer", explica.
Neste webinar serão discutidos temas cada vez mais prementes como a mobilidade e os transportes sustentáveis, a inteligência artificial, as cidades, o ambiente e a energia, "temas que espelham o nosso olhar atento para os desafios tecnológicos de futuro, embora com os pés bem assentes no presente, pois o papel dos engenheiros é imprescindível quer na fase de transição, que atravessamos, quer na de mudança", explica o responsável. Outra questão que não ficará de fora desta discussão será a circularidade da economia, com o reaproveitamento de recursos finitos, pondo cobro à sua exploração exaustiva, focada na eficiência material, hídrica e energética.
"Sabemos que a pandemia veio exigir a adaptação das empresas, através da rápida adoção e adaptação ao teletrabalho e às plataformas de teleconferência, soluções amigas do ambiente e das famílias que reduzem fortemente os movimentos pendulares nas áreas metropolitanas e as deslocações aéreas. A ciência, a investigação e a engenharia, com a sua capacidade de invenção e resiliência, farão o resto", afirma Carlos Mineiro Aires. O bastonário remata a sua declaração dizendo que "gerir o território, mitigando as suas assimetrias, e definir estratégias para um Portugal novo com uma economia sólida e influente são desafios para a classe política de quem muito se espera".